Destaque do cenário econômico global é demanda muito forte, afirma diretor do BC

“Não estou desmerecendo a oferta, mas o principal ‘driver’ é um choque de demanda” O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra Fernandes, afirmou nesta sexta-feira que o destaque do cenário econômico global é uma “demanda muito forte por bens e a surpresa de esse fenômeno estar perdurando mais do que imaginávamos”.
“Não estou desmerecendo choques de oferta, mas o principal ‘driver’ é um choque de demanda”, disse em evento virtual organizado pela Upon Global Capital, acrescentando que esse choque é “temporário, mas muito forte.”
“Os bancos centrais, principalmente de países desenvolvidos, seguem com estímulo monetário muito elevado”, afirmou. As condições financeiras dos Estados Unidos “são as mais frouxas em 30 anos, talvez da história”.
Bruno Serra Fernandes, diretor de Politica Monetária do Banco Central.
Carol Carquejeiro/Valor
Um cenário possível, de acordo com Serra Fernandes, seria o de mais bancos centrais se juntarem ao BC brasileiro e a outros emergentes e elevarem os juros, o que teria um “lado negativo”, de aumento geral das taxas ao redor do mundo.
No entanto, se a forte demanda por bens não for revertida, os bancos centrais podem ser obrigados a “apertar [ainda] mais as condições financeiras”, disse.
De acordo com Serra Fernandes, o impacto da pandemia “sobre a economia global tende a perdurar por mais tempo” e “no Brasil não é diferente”.
Recuperação desigual
O diretor do BC também afirmou que, “setorialmente, a recuperação no Brasil foi muito desigual”. Os serviços prestados às famílias estão muito abaixo do nível pré-pandemia, mas a compra de bens está muito acima, exemplificou.
Ele disse que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mede o desempenho das vagas formais, “já está acima do nível pré-pandemia”, mas o mercado informal de trabalho tem uma ociosidade “muito grande”.

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