Devo comprar ações de BB (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11) em 2022?

Os quatro maiores bancos brasileiros com ações na B3 (B3SA3) já divulgaram seus resultados do quarto trimestre.

Com isso, o lucro líquido consolidado de Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11) somou R$ 81,63 bilhões no ano passado.

De acordo com a empresa de informações financeiras Economatica, o total foi o maior valor nominal já registrado desde 2006. Segundo levantamento, o recorde anterior foi em 2019, quando o lucro consolidado havia sido de R$ 81,50 bilhões. 

Veja como ficaram os lucros dos bancos em 2021, sem ajuste da inflação:

Itaú (ITUB4): R$ 24,9 bilhões.
Bradesco (BBDC4): R$ 21,9 bilhões.
Banco do Brasil (BBAS3): R$ 19,7 bilhões. 
Santander (SANB11): R$ 14,9 bilhões.

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R$ 6,71 trilhões em ativos

Ainda de acordo com o levantamento, o ativo total consolidado dos quatro maiores bancos brasileiros em 2021 chegou a R$ 6,71 trilhões, valor 4,41% superior ao registrado em 2020.

“O maior crescimento entre 2021 e 2020 foi o do Banco do Brasil (11,99%), com o Bradesco tendo o segundo maior crescimento (3,94%) e o Itaú Unibanco o terceiro maior (2,53%). O Santander perdeu 3,89% entre 2002 e 2021”, destacou a Economatica.

O Itaú segue como o maior banco por ativos no Brasil e na América Latina, com R$ 2,16 trilhões, seguido por:

Banco do Brasil, com R$ 1,93 trilhão. Bradesco, com R$ 1,65 trilhão. e Santander, com R$ 963 bilhões.

Santander lidera volume de dividendos

Em 2021, os bancos citados distribuíram R$ 33,4 bilhões em dividendos e JCP.

O total representa um valor 12,29% superior ao do ano de 2020. Veja os totais distribuídos por cada banco, de acordo com o levantamento:

Santander: R$ 9,99 bilhões.
Bradesco: R$ 9,91 bilhões.
Banco do Brasil: R$ 7,12 bilhões.
Itaú Unibanco: R$ 6,39 bilhões.

 

Valor de mercado cresce

Segundo a Economatica, o valor de mercado consolidado dos quatro maiores bancos do Brasil em 14 de fevereiro de 2022 era de R$ 643,4 bilhões, um crescimento de 14,54% em relação ao final de 2021.

Confira o valor de mercado dos bancos na data:

Itaú Unibanco: R$ 240,0 bilhões.
Bradesco: R$ 188,0 bilhões.
Santander: R$ 119,5 bilhões.
Banco do Brasil: R$ 95,7 bilhões.

 

Recomendações

Banco do Brasil (BBAS3) 

Na visão da XP, o Banco do Brasil (BBAS3) apresentou resultados positivos no quarto trimestre do ano passado.

Apesar da Margem Financeira Bruta (MFB) mais fraca do que o esperado, as maiores receitas de serviços, menores despesas operacionais e custos de crédito compensaram a MFB, o que resultou em um lucro líquido de R$ 5,9 bilhões no trimestre, acima das estimativas. 

Segundo a XP, o perfil defensivo de sua carteira de crédito continua a sustentar o baixo índice de inadimplência e robusto índice de cobertura.

Com isso, a XP espera uma reação positiva e reiterou visão positiva para o Banco do Brasil, além de classificá-lo como o papel favorito do setor, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 52,00 por ação.

A XP avalia o BB como Top Pick por três fatores:

i) operação defensiva, com uma margem financeira estável nas carteiras de crédito rural, consignado e CDC para funcionários públicos.

ii) índice de cobertura confortável em 325% e bem capitalizado com índice de capital nível I de 15,2%.

iii) Múltiplos atrativos, uma vez que o banco está sendo negociado a 0,6x P/VP.

Bradesco

Para a XP, o Bradesco reportou resultados fracos no quarto trimestre de 2021.

Apesar da Margem Financeira Bruta mais forte do que o esperado no trimestre, as maiores despesas e provisões compensaram seus ganhos, o que resultou em lucro líquido de R$ 6,6 bilhões, 4% abaixo das estimativas.

O lucro foi impactado por um ajuste não recorrente de marcação a mercado de TVM que foram reclassificados de “disponíveis para venda” para “negociação”.

Embora as provisões tenham aumentado para R$ 5,1 bilhões no 4T21, em grande parte devido ao crescimento da carteira de crédito, o índice de cobertura continuou em queda e atingiu 261%. Isso leva a XP a acreditar que há mais espaço para provisões nos próximos trimestres.

Portanto, a XP reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 26,00 por ação.

Itaú

A XP afirma que o Itaú reportou resultados acima das expectativas no quarto trimestre, apesar das provisões acima do esperado, principalmente impulsionado pela Margem Financeira Bruta (MFB) mais forte.

O desempenho da MFB foi atribuído principalmente a um crescimento mais forte da carteira de crédito.

Como resultado do crescimento da carteira de crédito, o banco aumentou as provisões no trimestre.

Por consequência, o índice de cobertura aumentou para 241% (+ 7p.p. T/T e – 79 p.p. A/A), enquanto a taxa de inadimplência permaneceu estável T/T.

No entanto, a XP ressaltou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 28,00 por ação, diante de um cenário macroeconômico mais desafiador a frente.

Santander

Analistas da XP afirmam que o Santander reportou resultados mais fracos no quarto trimestre de 2021 (4T21), com lucro abaixo das expectativas em R$ 3,9 bilhões (vs. R$ 4,2 bilhões do consenso Visible Alpha) e qualidade dos ativos mais baixa.

A Margem Financeira Bruta (NII) veio em linha com o consenso, impulsionada principalmente pelas linhas de varejo (com um mix de crédito mais arriscado).

Adicionalmente, o banco consumiu seu índice de cobertura em 33 p.p. trimestralmente em 217% devido ao menor provisionamento, enquanto a taxa de inadimplência aumentou gradualmente 30 bps. trimestralmente e 60 bps. anualmente.

Considerado o cenário macroeconômico mais desafiador no curto prazo, a XP acredita que o banco pode precisar aumentar as provisões ao longo de 2022, uma vez que a taxa de inadimplência segue em expansão, com potencial de impacto sobre sua rentabilidade.

A XP indica venda, com preço-alvo de R$ 36,00 por ação, devido ao seu elevado preço e operação mais arriscada.

Panorama para 2022

Tendências mistas: maiores rendimentos, mas risco de inadimplência

A XP espera tendências mistas para o setor bancário em 2022. Do lado positivo, vê:

i) taxas de juros mais altas, o que beneficia os spreads, embora deva continuar pressionado no curto prazo devido ao maior custo de captação.

ii) um mix de carteira de crédito mais rentável.

iii) redução gradual das provisões e bem capitalizadas. e iii) dividend yields atraentes.

No entanto, também vê riscos relevantes, como:

i) piores índices de inadimplência com a deterioração macroeconômica.

ii) competição mais agressiva, impulsionada pelo engajamento do Open Finance.

iii) possíveis intervenções regulatórias. e

iv) riscos fiscais relacionados ao potencial fim do Juros sobre o Capital Próprio (JCP) e aumento no imposto dos bancos.

Crédito deve continuar em transição para um mix mais rentável, segundo a XP, com linhas de PMEs e pessoas físicas, principalmente com garantias.

Os lucros dos bancos devem ser beneficiados pela redução das provisões, na avaliação dos analistas. Embora a inadimplência esteja artificialmente baixa, a XP acredita que ainda deva aumentar gradualmente em 2022, e os bancos estão menos provisionados em comparação com 2021, com um índice de cobertura médio de aproximadamente 260% no quarto trimestre em comparação com cerca 340% no mesmo período de 2020.

No entanto, os bancos estão bem capitalizados com um índice de capital nível I médio de 13,7%.

Riscos

A XP observa os seguintes riscos na agenda regulatória/tributária:

i) possível fim do Juros sobre o Capital Próprio (JCP), que contribui substancialmente para a redução da alíquota de impostos para os bancos (aproximadamente 12% do lucro em média com base nos dados de 2019). e

ii) extensão da alíquota mais alta da CSLL para os bancos em 2022, embora a MP 1.034/21 tenha aumentado a alíquota da CSLL de 20% para 25% apenas para 2021.

Analistas preveem ainda que as fintechs continuarão a ganhar tração suportado pelos incentivos do Banco Central ao promover a competição e a inclusão financeira por meio da Agenda BC# e do Open Finance, o que potencialmente vai pressionar os spreads dos bancos incumbentes no longo prazo.

Nesse sentido, a XP espera que a Agenda BC# avance ao longo de 2022, com potencial impacto sobre o mercado de crédito e ganho de força, mesmo que em ritmo ainda tímido, em produtos de investimentos, seguros e previdência complementar.

As informações são de XP.

Análises realizadas por Matheus Odaguil, analista do setor financeiro, e Renan Manda, analista-chefe do setor financeiro. 

Texto originalmente redigido por Juliana Kirihata.

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