É natural a captação desacelerar em ambientes de mais incerteza, diz BTG
Instituição financeira teve uma captação de R$ 88 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 98 bilhões no segundo trimestre O vice-presidente financeiro do BTG Pactual, João Dantas, afirmou que em ambientes de mais incerteza é natural o investidor hesitar na tomada de decisão, então a captação desacelera. O BTG teve uma captação de R$ 88 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 98 bilhões no segundo trimestre. Mas ele diz que, desconsiderando a consolidação da corretora Necton, na verdade a captação cresceu R$ 2 bilhões.
“O nosso negócio tem ciclicalidade, cada trimestre é diferente. Temos um ambiente de mais incerteza, todos os indicadores mostram isso, bolsa, juros, câmbio, é factual. Não estou estimando um aumento de preocupação de ninguém. Então é natural que o investidor hesite na tomada de decisão, um pouco do fluxo de migração desacelere, porém essa migração [para produtos mais sofisticados] continua”, comentou em entrevista coletiva. “Não vemos nenhuma queda que nos gere preocupação, de reversão de tendência”.
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Ele fez questão de ressaltar ainda que em momento de maior volatilidade o investidor procura a melhor casa, ou seja, há um “flight to quality”, o que tende a beneficiar muito o BTG. “Este anos temos uma captação média por mês de R$ 15 bilhões em wealth management e R$ 15 bilhões em asset management. Somos os maiores beneficiários dessa migração.”
Dantas também afirmou que a carteira de crédito cresceu junto com a receita e que não houve compressão de spreads. “Isso é crescimento com rentabilidade, foi o que aconteceu no trimestre, sem dúvida”. Ele reforçou que a receita em corporate lending cresceu, mas admitiu que em pequenas e médias empresas (SME, na sigla em inglês) houve um desempenho misto, com crescimento na parte de desconto de recebíveis e diminuição em cartão de crédito. Em ‘special situations’, ele afirma que houve um volume muito forte no segundo trimestre e um pouco menor no terceiro.
“Estamos muito satisfeitos com a recorrência da nossa receita, sem pressão de provisões, sem pressão de margens. A receita vai crescer junto com os ativos sob custódia. Um crescimento de 75%, em qualquer negócio, é muito bom”.
Segundo ele, a expansão mais fraca em cartões ocorreu em função do novo sistema de registro de recebíveis no país, que ainda enfrenta algumas dificuldades, especialmente na questão da interoperabilidade entre as diferentes registradoras. “Quando a central de recebíveis de cartão estiver mais consolidada, vamos entrar para dar financiamento a PMEs. No momento ela ainda não está pronta, de maneira adequada, para termos a qualidade mínima que queremos para crescer essa operação.”
Na área de banco de investimento, ele afirmou que nos próximos trimestres as receitas com emissões de ações (ECM) não devem crescer tanto, mas que o ciclo vai mudando, com mais operações de dívida (DCM) e de fusões e aquisições (M&A). “Não vejo uma desaceleração tão clara no nível de receita de banco de investimento. Podemos ter um pouco menos, ou um pouco mais. Está muito difícil prever como será 2022”.
O executivo ainda comentou que o BTG pretende no futuro dar mais transacionalidade para o investidor que quiser negociar criptomoedas. Por enquanto, oferece apenas um fundo que investe nesse tipo de ativo. “Não existe ainda no Brasil nenhum banco que faça compra e venda, custódia de criptomoedas. Isso está sendo desenvolvido e tem questões regulatórias. Estamos trabalhando para poder efetivamente oferecer um produto que seja transparente, sóbrio e sensato.”

