El Salvador anuncia recompra de dívida antes de aniversário de adoção do bitcoin
Os títulos do país estão sendo negociados em níveis considerados de alto risco, com alguns operadores cautelosos com as opções de financiamento do governo O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou planos para recomprar os títulos do país denominados em dólar com vencimento em 2023 e 2025, provocando um salto de dois dígitos no preço dos títulos com classificação de risco especulativo.
Bukele disse em uma série de tuítes que enviou dois projetos de lei aos legisladores sobre planos para uma oferta de compra “transparente, pública e voluntária” que começará em seis semanas para a dívida do governo a preços de mercado.
O ministro das Finanças, Alejandro Zelaya, disse que o país usaria direitos de saque especiais do Fundo Monetário Internacional, além de financiamento multilateral e um novo acordo de títulos com o banco central para financiar a recompra dos papéis.
Os títulos em dólar do país com vencimento em janeiro de 2023 subiram quase 10 centavos após o anúncio para 86 centavos, de acordo com preços indicativos compilados pela Bloomberg. As notas de 2025, por sua vez, subiram 16 centavos para serem cotadas a 52 centavos, a maior desde meados de abril.
O partido Nuevas Ideas de Bukele detém uma maioria de dois terços na legislatura unicameral de El Salvador, o que significa que os projetos podem ser aprovados rapidamente. Ernesto Castro, presidente da Assembleia Legislativa, disse que os projetos de lei serão apresentados e encaminhados para discussão e aprovação ao plenário, dizendo que o passo é importante para o país.
Há US$ 1,6 bilhão em dívida em títulos com vencimento em 2023 e 2025 combinados, e Bukele prometeu comprá-los de volta a seus preços de mercado, reconhecendo que os preços podem subir assim que a recompra começar.
Guillermo Guerrero, analista do EMFI Group Limited, disse esperar que os preços das notas iniciais se aproximem do par, desde que a oferta seja vista como confiável. Os títulos do país estão sendo negociados em níveis considerados de alto risco, com alguns operadores cautelosos com as opções de financiamento do governo.
A questão agora se volta para saber se Bukele vai recomprar todos os US$ 1,6 bilhão em títulos de curto prazo. Para Nathalie Marshik, diretora administrativa de renda fixa da Stifel Nicolaus & Co., a resposta é: “Provavelmente não”.
“A primeira indicação é que há cerca de US$ 560 milhões disponíveis para a recompra”, disse ela. “Ainda não sabemos qual será a alocação entre as décadas de 2023 e 2025.”
O país está se aproximando do aniversário de um ano de adoção do bitcoin como moeda legal, uma medida que – juntamente com uma mudança nos principais tribunais – alimentou alguma incerteza entre as agências de classificação de risco de crédito e os gestores de recursos. El Salvador é uma das nações emergentes mais vulneráveis a um default, de acordo com uma análise da Bloomberg Intelligence no início deste mês.
“Faz muito sentido, dados os preços deprimidos dos títulos salvadorenhos, mas acho que o governo teria obtido melhores resultados em termos de economia de recursos se tivesse conduzido a recompra de forma encoberta”, disse Ramiro Blazquez, chefe de pesquisa e estratégia do BancTrust. “Ainda há muitos detalhes que não sabemos, como a magnitude da recompra. Mas é definitivamente uma boa notícia, pois estabelece um piso para os preços e fará muito para aliviar os temores de inadimplência.”
–Com assistência de Michael McDonald

