Empresas permitem acesso mais rápido ao saldo da previdência privada

Prazo médio caiu para sete anos, segundo a 13ª Pesquisa Aon de Benefícios. Tendência foi tema de debate com especialistas no site do Valor Os planos de previdência privada oferecidos pelas empresas como benefício para atrair e reter talentos passam por mudanças importantes no Brasil. Eles estão se tornando mais flexíveis, permitindo que os participantes tenham acesso aos recursos mais cedo. E são vistos cada vez mais também como um investimento, além de uma forma de estimular a poupança para a aposentadoria.
Essa foi uma das principais conclusões de um debate virtual sobre o futuro do trabalho e seu impacto na previdência privada que foi ao ar ontem, no site do Valor Econômico. A conversa foi conduzida pelo jornalista Pedro Doria e reuniu o VP de Health and Retirement Solutions da Aon Brasil, Leonardo Coelho, e o diretor da Bradesco Vida e Previdência, Jair Lacerda. O ponto de partida foram as descobertas da 13ª Pesquisa Aon de Benefícios, divulgada em agosto. O estudo, que entrevistou 808 empresas sobre 35 práticas de RH, foi realizado pela Aon, líder global em consultoria e corretagem de seguros que oferece soluções de risco, aposentadoria e saúde em 120 países.
Segundo o VP da Aon, uma das principais tendências observadas foi a redução do tempo de vesting, como é chamado o período que o beneficiário tem de esperar para ter o direito às contribuições feitas pela empresa e poder resgatar esse valor. “Cinco anos atrás, o tempo médio era de dez anos”, lembrou Coelho. “Na última pesquisa, já caiu para sete.” A tendência, segundo ele, é que chegue a cinco anos num futuro próximo.
APELO AOS MAIS JOVENS
De acordo com os especialistas, essa mudança acontece por vários fatores. O diretor da Bradesco Vida e Previdência citou as incertezas causadas pelas transformações nos negócios e no mercado de trabalho que vêm ocorrendo no mundo todo. “As pessoas estão mais preocupadas hoje com liquidez”, disse Lacerda. O mediador pontuou que hoje os trabalhadores não trocam apenas de emprego em prazos mais curtos. “Ao longo da vida, vão mudar de carreira, de profissão”, ressaltou Pedro Doria. Para o VP da Aon, o resgate em prazo menor aumenta a importância da previdência privada para os mais jovens, que têm dificuldade em valorizar um benefício voltado a um futuro muito distante.
Na avaliação de Coelho, o processo de flexibilização estimula a poupança e faz as pessoas encararem a previdência complementar como um investimento. Segundo ele, cerca de 90% das empresas praticam a regra de matching de 1 para 1. “Se o colaborador coloca R$ 1 mil por mês de recursos próprios na sua previdência privada, a empresa coloca mais R$ 1 mil”, exemplificou. “Só aí nós estamos falando de 100% de retorno sobre o investimento.” O VP da Aon destacou também a flexibilização das opções de investimento, que permite aos participantes buscarem alternativas mais rentáveis do que a renda fixa para aplicar seus recursos.
Os debatedores concordaram também sobre a necessidade de que a liberdade para resgatar os fundos do plano mais cedo seja acompanhada de educação financeira para preservar o sentido do benefício, que é garantir o conforto da pessoa depois que ela para de trabalhar. “Nós temos uma população jovem que tem necessidades mais prementes, que é a própria formação, a construção do patrimônio, uma reserva de liquidez para momentos em que estiver na transição entre um trabalho e outro ou mesmo na abertura de um negócio”, reconheceu Lacerda.
Por outro lado, ele lembrou que é fundamental que as pessoas acumulem recursos para garantir o conforto na fase pós-laboral, tendo em vista que estão vivendo cada vez mais e tendo menos filhos. “É possível construir uma solução que busque esse equilíbrio entre a necessidade de hoje e a do futuro”, disse.

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