Equity crowdfunding ganha impulso com nova regra

Resolução abre espaço para tokenização e aumenta o limite de captação. Mercado Bitcoin explora esse mercado por meio da MB Tokens Equity No começo de julho, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou novas regras para captação de recursos por financiamento coletivo – o equity crowdfunding. Prática que já existe há alguns anos, esse tipo de financiamento começa a ganhar corpo e a avançar de seu estágio embrionário em meio ao mercado de tokenização de ativos.
Afinal, pelas regras estipuladas pela CVM, assinaladas na resolução 88/2022, startups e projetos que desejam levantar dinheiro por meio de financiamento coletivo precisam estar listados em uma plataforma da instituição, como as tokenizadoras. São elas que vão certificar que uma pessoa investiu dinheiro naquele projeto e que, agora, é sócia.
Com isso, a participação no empreendimento se transforma em um token digital que depois poderá ser negociado em um mercado secundário dessas plataformas. “Em vez de você ter um papel de ação, você tem um token digital”, explica Ricardo Camargo, pesquisador de Finanças da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “O mercado acaba se tornando mais vivo e seguro, sem brechas na lei.”
CVM passa a exigir que startups precisam estar listadas em uma plataforma da instituição, como as tokenizadora
Getty Images
Para especialistas, o mercado ainda deve se expandir. De acordo com dados da CVM de antes da pandemia, quase R$ 60 milhões foram captados em 2019, aumento de 28% em relação aos R$ 46 milhões de 2018. O número de ofertas lançadas cresceu de 56 para 81, e de ofertas fechadas com sucesso, de 46 para 60. Espera-se que esses números aumentem com a resolução da CVM – não só pela segurança do mercado, mas pela alteração do limite máximo de captação por oferta de R$ 5 milhões para R$ 15 milhões.
“Estamos longe de termos a cultura desse tipo de investimento, dado o comparativo feito com a América do Norte, que somava mais de US$ 17 bilhões investidos”, contextualiza Vitor Delduque, diretor de Novos Negócios do MB Tokens Equity, sobre sua percepção do setor. “O mercado de equity crowdfunding no Brasil ainda é embrionário no quesito de volume investido, mas bem movimentado no quesito de quantidade de empreendedores.”
Novidades de mercado
Antes mesmo da resolução, o Mercado Bitcoin já atuava nesse mercado por meio da Clearbook, que começou a operar no segundo semestre do ano passado. Agora, a empresa ganhou novo nome: MB Tokens Equity. Desde o início da sua operação, esse braço da gigante de criptoativos já teve ofertas liquidadas em apenas 24 horas, com diversos perfis de empresas. “Startups ligadas ao mundo tech, financeiro ou ESG são os destaques da nossa plataforma”, explica Delduque.
Dentre as captações de recursos já feitas com sucesso está a Fazu, de fazendas urbanas, que levantou R$ 250 mil em agosto de 2021. a carteira digital para pais e alunos YouPay, em fevereiro deste ano, com R$ 725 mil. a Rita RH, plataforma de gestão de pessoas e benefícios, que captou R$ 460 mil em março. a Go Liza, já em abril, com captação de R$ 798 mil para desenvolver sua plataforma de validação de processos financeiros de empresas. e a WeConecta, healthtech que utiliza inteligência artificial para diagnosticar e tratar precocemente doenças não comunicáveis, como o câncer de mama, por exemplo.
Agora, a MB Tokens Equity está trabalhando com aTábua, primeiro clube de experiências gastronômicas a realizar oferta pública em equity crowdfunding e que busca levantar R$ 1,25 milhão para sua atual rodada seed.
A empresa oferece, tanto no modelo de assinatura como no modelo avulso, harmonizações criadas por especialistas para conhecer vinhos de diversos países combinados com queijos premiados internacionalmente, embutidos e geleias de pequenos produtores artesanais brasileiros. Para investir nos ativos, o investidor deve abrir sua conta na plataforma de equity crowdfunding do Mercado Bitcoin, fazer um depósito a partir de R$ 100 e escolher a rodada de investimento de aTábua.
Do outro lado, Delduque vê um público que busca investimentos de longo prazo e que pode esperar a maturação da empresa. “Mas o investimento em startups se torna atrativo para os moderados assim que eles entendem que traçar uma estratégia de pulverização dentro desse mercado é essencial para o sucesso”, explica. “Não adianta você apostar tudo em uma startup. É importante criar um portfólio diversificado, contendo diversos mercados e ideias distintas, assim como é sugerido fazer nas ações compradas na bolsa de valores. No equity, o conceito é bem parecido. A diferença é o estágio em que as empresas se apresentam.”

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