Ethereum 2.0: Atualização traz forte risco de liquidez por deixar até 80% do ether fora de negociação para ‘staking’

Liberação das moedas apartadas será a conta-gotas e só deve ocorrer depois de seis meses À medida que o burburinho em torno da atualização da blockchain do Ethereum atinge seu ápice, poucos observadores parecem estar falando sobre o trade-off potencialmente arriscado que os detentores da criptomoeda devem enfrentar.
Espera-se que mais investidores em ether, a moeda nativa da rede cripto mais importante comercialmente, façam um lock up de seus tokens em carteiras digitais que rendem a seus proprietários um retorno logo depois que a transição da rede ocorrer. Mas eles não serão capazes de retirá-los, pelo menos não por um tempo.
O ether apartado das negociações correntes desempenhará um papel vital no que deve se tornar a rede depois da atualização. Carteiras com o que está sendo chamado de ether colocado em staking serão usadas para ajudar na validação das transações da rede por meio do novo sistema que é apelidado de PoS (Proof of Stake).
Atualmente, cerca de 11% do ether já está bloqueado – diretamente ou por meio de provedores como Lido, Coinbase Global Inc. e Kraken – em carteiras de staking na Beacon Chain do Ethereum, que está sendo usada para testar o processo, de acordo com empresa de análise de blockchain Nansen.
O único problema é que a Ethereum terá que passar por mais uma mudança de software apelidada de Xangai, que está a pelo menos seis meses de distância, para permitir saques de ether colocados em staking. Mesmo assim, os saques serão limitados.
“Este é outro tipo de risco chamado risco de iliquidez, porque não é um ativo líquido”, disse Campbell Harvey, professor de finanças da Duke University. “Esta é a razão pela qual o rendimento é maior.”
Em troca por colocar seus tokens para staking, os proprietários de ether recebem recompensas na forma de mais tokens a uma taxa de cerca de 4%. O rendimento pode saltar para 5,2% logo após a conclusão da atualização, antes de diminuir ao longo do tempo, de acordo com o rastreador de dados Staking Rewards. A atualização de software é chamada de Merge porque a principal blockchain da Ethereum será mesclada com a Beacon Chain.
Para tornar esse ether colocado em staking mais líquido, alguns investidores estão comprando derivativos como o stEth do Lido, que representa o ether em staking, mas que pode ser negociado, emprestado ou tomado emprestado.
A Coinbase, a maior exchange de criptomoedas dos EUA, anunciou recentemente um derivativo semelhante. O risco é que os proxies também possam ser ilíquidos. O produto da Lido foi recentemente negociado com desconto para o ether. Problemas de liquidez com stEth contribuíram para problemas no credor de criptomoedas Celsius Network, que entrou com pedido de proteção contra credores.
Mesmo assim, os produtos aumentaram em popularidade. Cerca de 80 mil depositantes únicos despejaram 13,6 milhões de ether em staking até o momento, de acordo com Nansen. Eventualmente, cerca de 80% de todo o ether será colocado em staking, de acordo com a ConsenSys, um provedor de tecnologia blockchain Ethereum.
Ainda não há um cronograma acordado para retiradas, apenas um compromisso de fazê-lo ‘logo’ após a fusão, disse Ben Edgington, gerente de produto da ConsenSys. “É provável que isso dure no mínimo seis meses, mas pode ser mais longo, dependendo de qual outro trabalho decidirmos incluir. Decidir sobre isso será de alta prioridade assim que a Merge estiver concluída.”
A Ethereum tem um histórico de atualizações de software acontecendo mais tarde do que o esperado, pois os desenvolvedores concluem testes extensivos e trabalham para implementar outros recursos prioritários. O Ethereum abriga cerca de 3.500 aplicativos distribuídos ativos e seu ecossistema lida com bilhões de dólares em transações.
Após a atualização de Xangai, as retiradas de staking serão limitadas a cerca de 43,2 mil ether por dia de cada 10 milhões de ether acolocados em staking. O limite foi estabelecido para evitar um êxodo em massa de fundos. Uma debandada é provavelmente improvável, já que a maioria dos participantes estão compraram o token por valores acima dos atuais após a queda de mais de 50% deste ano no valor do ether.
“É improvável que o desbloqueio dos ativos da Merge seja uma das principais prioridades da Ethereum Foundation”, disse Toby Lewis, CEO do provedor de análises Novum Insights. Os detentores de moedas colocadas em staking podem ter que “prender a respiração por um tempo”.

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