FMI: Transição para zerar emissões precisará de mais US$ 20 tri em investimentos

Um papel crucial neste processo será desempenhado pela indústria de fundos de investimento O mundo precisará investir mais US$ 20 trilhões nas próximas duas décadas se quiser zerar as emissões líquidas de carbono, uma das principais metas a serem atingidas para conter o aquecimento global. Um papel crucial neste processo será desempenhado pela indústria de fundos de investimento, capaz de influenciar empresas a acelerar as mudanças necessárias para a transição verde.
As recomendações foram feitas nesta segunda-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e fazem parte do terceiro capítulo do Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, que será detalhado pela entidade em uma série de encontros na próxima semana.
Embora os fundos de investimentos sustentáveis possam ser uma oportunidade para empresas desejam implementar práticas alinhadas à meta de zerar as emissões, o FMI destaca que é preciso fazer mais para acelerar a transição e evitar os riscos que já estão sendo apresentados pelas mudanças climáticas.
Segundo os cálculos da entidade, dos US$ 50 trilhões em ativos controlados pelos fundos de investimento globais, apenas 7% – o equivalente a US$ 3,6 trilhões – foram destinados a fundos sustentáveis em 2020. “Fundos com enfoque climático específico representaram escassos US$ 130 trilhões desse total”, afirma o FMI.

Krisztian Bocsi/Bloomberg
“O papel positivo dos fundos vem de sua capacidade de influenciar diretamente o setor corporativo”, dizem os economistas Fabio Natalucci, Felix Suntheim e Jérôme Vandenbuscche em nota sobre o relatório. “Os fundos podem efetuar mudanças práticas de sustentabilidade nas empresas.”
A pressão dos fundos de investimento já está sendo observada nas votações dentro das empresas. Fundos convencionais votaram a favor de quase 50% das resoluções relacionadas ao clima em 2020, segundo os economistas do FMI. Entre fundos com foco ambiental, esse índice chega a cerca de 70%.
Como exemplo da importância dessa atuação, os autores destacaram a ação de investidores ativistas que ganharam assentos no conselho da americana ExxonMobil como parte uma tentativa de mudar a estratégia climática de uma das maiores empresas de petróleo do mundo.
O FMI diz que as mudanças no setor corporativo terão de ser acompanhadas por políticas fiscais, regulatórias e financeiras dos governos. É preciso, por exemplo, fortalecer a arquitetura de informações sobre o clima e ter melhores sistemas de classificação para os fundos de investimento.
Nesse sentido, o FMI já está trabalhando com o Banco Mundial e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no desenvolvimento de princípios para esses sistemas de classificação. O objetivo é harmonizar as abordagens existentes e apoiar o desenvolvimento de mecanismos financeiros sustentáveis para apoiar a transição energética.

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