Inadimplência das famílias renova recorde há 3 meses e não há perspectiva de queda sustentada, diz CNC

Dados de outubro mostram que a proporção de famílias com contas atrasadas avançou de 30% em setembro para 30,3% em outubro, o maior nível já registrado em toda a série histórica da pesquisa A parcela de famílias com dívidas em atraso vem renovando seu recorde há três meses seguidos e não há perspectiva de queda sustentada nos próximos meses, afirmou a economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Izis Ferreira, responsável pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Os dados de outubro mostram que a proporção de famílias com contas atrasadas avançou de 30% em setembro para 30,3% em outubro, o maior nível já registrado em toda a série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2010. É a quarta alta seguida do indicador, que nos últimos três meses renovou seu recorde. Em outubro de 2021, a fatia estava em 25,7%.

No caso do endividamento, a fatia de famílias que revelam ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) ficou em 79,2% do total em outubro, 0,1 ponto percentual abaixo de setembro, que tinha sido o recorde da pesquisa.

“A gente viu uma moderação do endividamento em outubro, mas ainda assim é um nível bastante elevado, com quase 80% das famílias com alguma dívida. Já a inadimplência renovou mais uma vez o recorde histórico. As famílias vêm demonstrando dificuldade de pagar seus compromissos no mês. Primeiro porque o nível de endividamento está alto e também porque há algum arrefecimento da inflação, mas ainda há pressão. E, com juros mais altos, é natural que nível inadimplência aumente”, afirma Ferreira.

Na sua avaliação, o atual cenário macroeconômico não permite vislumbrar uma expectativa de queda acentuada do nível de inadimplência das famílias no curto prazo.

“Nos próximos meses, essa proporção de famílias com dívidas atrasadas vai se manter elevada, até porque o juro vai seguir elevado. Não acho que essa inadimplência vai começar a cair de forma sustentada. As instituições financeiras estão revendo para cima suas provisões para devedores duvidosos. Também há muita incerteza para o ano que vem sobre os programas de transferência de renda e sobre o desempenho esperado da economia”, pondera a economista.

Mesmo com algum arrefecimento da inflação, afirma Izis Ferreira, os preços se mantêm em nível elevado, comprometendo o orçamento das famílias.

Marcos Santos/USP Imagens

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