Inadimplência de pessoa física está 2 pontos abaixo do recorde histórico, diz UBS
Analistas apontam que a inadimplência de pessoa física está atualmente em 3,5%, dois pontos percentuais abaixo da máxima histórica, de 5,5%, atingida em 2012 Com um cenário de inflação e juros elevados — e o risco de uma recessão global — a grande preocupação dos analistas com os bancos é sobre a inadimplência, em especial de pessoa física. Nesse contexto, o UBS BB elaborou um relatório para tentar entender até onde essa deterioração da qualidade dos ativos pode ir.
Os analistas, liderados por Thiago Batista, apontam que a inadimplência de PF está atualmente em 3,5%, dois pontos percentuais abaixo da máxima histórica, de 5,5%, atingida em 2012. Eles estimam que a inadimplência geral deve subir 0,2 ponto no segundo semestre deste ano entre os grandes bancos. “Embora esperemos alguma deterioração da qualidade de ativos no segundo semestre, não vemos a qualidade dos ativos como um problema significativo para os bancos tradicionais.”
O relatório aponta que a inadimplência dos principais produtos de PF atingiu picos históricos em momentos diferentes. Em empréstimos automotivos, a máxima foi em meados de 2012. em crédito pessoal, em 2016. em financiamento imobiliário, em março de 2020, no início da pandemia de coronavírus. e em cartão de crédito, em 2011.
No empréstimo automotivo, a inadimplência, hoje, está 2,4 pontos abaixo da máxima histórica. em crédito pessoal, 3,7 pontos menos que o pico. em financiamento imobiliário, 1,0 ponto menor que esse topo. e em cartão, 2,3 pontos abaixo.
“É improvável que todos os produtos apresentem deterioração severa simultaneamente. […] Assumindo o cenário improvável de que os índices de inadimplência dos seis principais produtos (mais de 90% do total de empréstimos) voltem a seus máximos históricos ao mesmo tempo, estimamos que a inadimplência no Bradesco e Itaú aumentaria 1,8 ponto, enquanto no Santander teria alta de 2,0 pontos (as diferenças estão relacionadas ao mix de empréstimos de cada um)”.
O UBS BB aponta que desde o pico da inadimplência de PF, em 2012, o mix de empréstimos no Brasil mudou significativamente. A parcela de empréstimos de menor risco, como crédito imobiliário, consignado e rural cresceu: há dez anos, essas linhas representavam 50% do total do crédito às famílias, agora são 58%. No Bradesco, essas linhas representam 52% do crédito total para PF, ante 45% para o Itaú e 42% para o Santander.
Considerando a carteira como um todo (incluindo empresas), o crédito para PF é mais significativo no Santander (60%), seguido de Bradesco (55%) e Itaú (43%).
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