Inadimplência em cartões recua
A taxa de atrasos caiu para 3,8% em abril de acordo com a Abecs, associação do setor A inadimplência dos consumidores no cartão de crédito caiu para a menor taxa da série histórica, segundo dados da Abecs, associação que representa o setor de meios eletrônicos de pagamento. A taxa de atrasos caiu para 3,8% em abril.
Para a Abecs, o dado mostra que o brasileiro tem usado o cartão de forma mais consciente. Segundo o Banco Central, o saldo das transações sem juros do cartão cresceu 40,5% em junho, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Já, o crédito rotativo caiu 8,3% e registrou sua 11ª queda consecutiva.
O volume transacionado por meio dos cartões foi de R$ 609,2 bilhões no segundo trimestre deste ano, o que representa uma alta de 52% em relação ao segundo trimestre do ano passado, de acordo com o levantamento que foi divulgado ontem pela Abecs. No primeiro semestre, o volume foi de R$ 1,2 trilhão, indicado uma alta de 33,2%.
As transações no cartão de crédito totalizaram R$ 371,3 bilhões no segundo trimestre, alta de 53%. No débito, o volume foi de R$ 214 bilhões, alta de 42,3%. Por fim, os cartões pré-pagos movimentaram R$ 23,9 bilhões, alta de 214,3%.
As compras remotas, que ganharam ainda mais força com o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19, cresceram de forma expressiva no segundo trimestre deste ano. O uso de cartões na internet e em aplicativos movimentou R$ 135,1 bilhões no período. O valor representa uma alta de 46,5% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, o montante chegou a R$ 255,2 bilhões, o que representa alta de 41,2%.
Houve aumento ainda mais expressivo nos pagamentos por aproximação, em que o consumidor faz a transação apenas encostando o cartão na maquininha. O volume movimentado nessa modalidade cresceu 694% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado. As transações desse tipo somaram R$ 34,4 bilhões. Desse total, R$ 19 bilhões vieram dos cartões de crédito, enquanto o débito representou R$ 10,6 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano, foram R$ 53 bilhões movimentados dessa forma, uma alta de 540,7% na comparação anual. De novo, o crédito aparece com destaque, com R$ 30,1 bilhões transacionados. O débito teve R$ 15,7 bilhões e os cartões pré-pagos, R$ 7,1 bilhões.
O crescimento da utilização de cartões se dá mesmo com o avanço do Pix, meio de pagamentos instantâneos que foi lançado pelo Banco Central (BC) em novembro e caiu nas graças do brasileiro. De acordo com o órgão regulador, na última sexta-feira, antevéspera do Dia dos Pais, o número de transações feitas com Pix foi recorde, chegando a 40,462 milhões. Com isso, foram movimentados R$ 24,8 bilhões por meio da modalidade.
Quando o Pix foi lançado, surgiram dúvidas sobre o que aconteceria com os pagamentos com cartões, especialmente de débito. No entanto, não se vê uma substituição por enquanto, até porque o novo meio ainda não está plenamente disseminado no varejo.
O presidente da Abecs, Pedro Coutinho, afirmou que a chegada do Pix é positiva. “O consumidor tem que ter o direito de usar o que seja melhor pra ele na hora de pagar. Se o melhor for o débito via NFC [sistema de aproximação], perfeito. Se alguém tem dinheiro em conta e prefere usar o Pix, porque a experiência é melhor, ótimo. E assim por diante”, destacou o executivo, que também é presidente da Getnet, credenciadora de cartões.
Segundo Coutinho, uma parte importante da população adotou o Pix como meio e pagamento e que ele passou a ser usado como um substituto de transferências como TED e DOC. No entanto, ainda não há dados sobre o impacto do Pix no uso do dinheiro em espécie. “Ainda não temos dados do Banco Central sobre qual foi o impacto no dinheiro. E precisamos desses dados, porque isso [a substituição] tem que acontecer e é melhor para a economia”, afirmou.

