Inflação está ancorada mesmo com dificuldades fiscais, diz diretor do BC
Estamos com histórico de inflação em torno da meta, disse Paulo Souza. horizonte relevante para autoridade monetária é 2022 O diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Paulo Souza, afirmou que, mesmo com as dificuldades fiscais, a inflação está ancorada no horizonte relevante da autoridade monetária. Esse horizonte inclui principalmente 2022.
Apesar de todas as dificuldades, estamos com histórico de inflação em torno da meta, disse nesta quarta-feira em palestra sobre gestão de risco de crédito em instituições financeiras, em evento promovido pela InterNews.
Souza afirmou que atualmente não há nenhum pleito do setor financeiro para a renovação de medidas de liquidez e capital adotadas no ano passado. Segundo ele, no entanto, as medidas podem ser implantadas novamente, caso o BC enxergue necessidade.
O diretor destacou que tem reuniões semanais com entidades para avaliar a situação do setor. De acordo com ele, não há atualmente necessidade de liquidez no sistema.
No Ministério da Economia, tem a possibilidade de sair algo adicional do Pronampe, afirmou, lembrando, no entanto, que isso depende de definições a respeito do Orçamento deste ano.
As taxas de juros cobradas na maior parte das linhas caiu e está em patamares baixos, mesmo com uma elevação recente, afirmou.
Com juros sob controle e todas as medidas, não vemos dificuldade para o mercado de crédito crescer nos próximos anos acima de dois dígitos, disse, destacando a importância do equilíbrio fiscal para a manutenção de taxas de juros baixas.
Souza também destacou outros avanços dos mercados de crédito e capitais, como: duplicata eletrônica, que deve entrar em vigor neste semestre. home equity, que pode facilmente duplicar o crédito imobiliário. implantação das normas de recebíveis de cartão, prevista para entrar em vigor em 7 de junho e que está indo bem.
Segundo ele, o último teste de estresse realizado pelo BC, em março, mostra que a necessidade de capital para reenquadramento está em R$ 132 bilhões. Esse indicador aponta o impacto máximo que um cenário de estresse teria sobre o sistema bancário.
De acordo com Souza, o sistema de uma forma geral está resiliente. Ele lembrou que o nível de provisionamento das instituições financeiras para perdas é o mais alto da nossa história e que a grande maioria dos bancos está com índice de provisão para perdas acima de 1.
Ele afirmou que abril e maio ainda serão meses bastante adversos em termos de atividade, mas que as perspectivas são de crescimento econômico e aceleração da vacinação contra a covid-19 ao longo do ano. O diretor lembrou que as estimativas de instituições financeiras e consultorias para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 estão entre 2,7% e 3,5%.

