Informação, crédito e digitalização ajudam pequenos negócios a planejar 2022
Evento virtual realizado na última semana por Valor Econômico e Sebrae debateu potencial do setor e desafios para o próximo ano A taxa de empreendedorismo potencial experimentou no Brasil um crescimento de 75% de 2019 para 2020. Essa foi a conclusão a que chegou a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).
O levantamento identificou que 50 milhões de pessoas que ainda não empreendem querem abrir um negócio nos próximos três anos – um terço desse total foi motivado pelas mudanças econômicas e sociais provocadas pela pandemia. A taxa de formalização também cresceu, 69%, e alcançou 44% do total das micro e pequenas empresas.
A pandemia motivou, portanto, muitos brasileiros a abrir seus próprios negócios. Desde então, uma série de desafios se apresentou. Depois das adaptações ao novo estilo de vida digitalizado, uma fase de crescimento, ao final de 2020, foi interrompida pela segunda onda da crise de saúde.
Foi para debater esse cenário e seus impactos para os donos de micro e pequenas empresas que o Valor Econômico e o Sebrae realizaram a live “Pequenos negócios: cenário econômico e desafios para 2022”. Carlos Melles, presidente do Sebrae, dialogou com o economista José Roberto Mendonça de Barros, com mediação de Edward Pimenta, diretor de Branded Content na Editora Globo.
O empreendedor quer melhorar a gestão financeira, entregar produtos e serviços de qualidade e fidelizar clientes”
Novo cenário
“Os juros subiram, os bancos vão ficar mais cautelosos, e a gestão financeira dos negócios terá que ser conservadora”, recomendou Barros para lembrar que as empresas de todos os portes, que valorizam o corte de custos e a excelência operacional tendem a se sobressair. “Neste verão, vamos ver uma recuperação do turismo e da economia cria¬tiva”, avaliou.
Por sua vez, Melles comentou que, ao longo dos últimos meses, as micro e pequenas empresas buscaram se manter atualizadas. “O aumento da busca do conhecimento, em todas as áreas, foi muito grande. O empreendedor quer melhorar a gestão financeira, entregar produtos e serviços de qualidade e fidelizar clientes”.
A instituição também investe em aumentar a inclusão das micro e pequenas empresas nas grandes plataformas de e-commerce e negocia iniciativas capazes de garantir o acesso a crédito. “O crédito é crucial. Experimentamos, inclusive, um aumento empréstimos informais, realizados entre conhecidos”.
Maior produtividade
O apoio às micro e pequenas empresas é fundamental, inclusive do ponto de vista da geração de emprego no país. Afinal, sete em cada dez vagas de trabalho geradas em agosto estavam nos empreendimentos desse setor, com saldo acumulado, em 2021, de 1,5 milhão de vagas.
O Sebrae identificou esse fenômeno ao realizar um levantamento com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Para continuar ganhando em relevância, essas empresas precisam investir em tecnologia.
“A conectividade vai permitir às empresas darem um salto de produtividade espantoso, mas o consumidor vai apresentar desafios perenes, porque os produtos e os serviços vão mudar constantemente. As empresas vão precisar atuar em rede para atender a essa demanda”, declarou, durante o evento, o professor José Roberto Mendonça de Barros. “Temos um trabalho voltado para startups, a fim de incentivar a inovação”, reforçou Carlos Melles. “Estamos caminhando na busca para que o Brasil tenha um ambiente de negócios cada vez melhor”.

