IPO é só o início, diz CEO do Modalmais em estreia na B3
Para Cristiano Maron Ayres, mercado ainda não percebe sinergias com Credit Suisse, que em 2020 anunciou compra de fatia no banco, mas negócio entra agora em nova fase e vai explodir O banco e plataforma de investimentos Modalmais estreia nesta sexta-feira na bolsa. Na cerimônia de toca do sino, o co-CEO da instituição, Cristiano Maron Ayres, comentou que o processo de abertura de capital não foi fácil.
“Foram mais de 150 reuniões com investidores nas últimas semanas. Não tenho dúvidas das sinergias com o Credit Suisse. Elas ainda não estão sendo percebidas pelo mercado, mas eles vão perceber, vão entender, e esse negócio vai explodir. O IPO é só o início, agora começamos uma nova fase, um novo projeto, chamado ‘Modal Vale Mais’”, comentou.
Em junho de 2020 o Credit Suisse anunciou um acordo para a compra de uma fatia de até 35% no Modalmais. Ainda assim, o processo de IPO foi complicado. A oferta acabou sendo precificada a R$ 20,01, bem abaixo da faixa indicativa original, que ia de R$ 24,30 a R$ 32,82 por unit. Assim, o IPO levantou R$ 1,174 bilhão. As units serão negociadas sob o ticker ‘MODL11’.
O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, lembrou que esse é o 22º IPO do ano e disse esperar que o cenário de juro baixo no país se perpetue, com estabilidade fiscal, para o Brasil não registrar mais “voos de galinha”.
O Modalmais tem uma base de 1,173 milhão de clientes e R$ 17,812 bilhões em ativos sob custódia. Em 2020, o resultado de intermediação financeira e serviços atingiu R$ 340,800 milhões, com alta anual de 37,7%. O lucro ficou em R$ 27,078 milhões, com queda de 43,0%. Além da plataforma de investimentos Modalmais, criada em 2015, há a unidade de banco de investimento.
O banco foi fundado em 1995 por Diniz Ferreira Baptista, José Antonio Mourão e Clóvis Macedo, que antes haviam trabalhado por 19 anos no Banco Garantia. Em 2013 Baptista se tornou o único controlador. Hoje ele é presidente do conselho de administração e o banco é dirigido pelos co-CEOs Cristiano Maron Ayres e Eduardo Centola.
Os recursos da oferta primária serão utilizados para investimentos em tecnologia (35,0%), investimentos em marketing (12,5%), expansão dos negócios por meio de aquisições estratégicas (25,0%) e expansão da carteira de crédito (27,5%).
Cristiano Maron Ayres, co-CEO do Modalmais
Claudio Belli/Valor

