Méliuz projeta receita internacional com cashback no fim do ano, diz CEO

Nos próximos seis meses, a empresa de cashback Méliuz vai trabalhar na integração tecnológica do site polonês de cupons Picodi, adquirido em fevereiro por R$ 120 milhões. O site, presente em 44 países, será a fonte da expansão internacional da empresa.

Segundo Israel Salmen, CEO do Méliuz, a receita resultante da aquisição feita em fevereiro começa a entrar no fim do ano. “Primeiro vamos fazer a integração tecnológica básica”, disse o executivo nesta quarta-feira (31), em teleconferência de resultados da empresa com analistas.

A entrada do Picodi representaria uma receita líquida adicional de R$ 30,2 milhões ao resultado do Méliz no acumulado de 2020, elevando a receita líquida total do ano passado para R$ 155,5 milhões – 81% vindos do Méliuz e 19% do Picodi.
O Picodi tem mais de 12 mil lojas na plataforma, contando com 68 milhões de visitas em 2020.

Salmen destacou que a aquisição reduz o risco de expansão internacional da empresa, economizando tempo e recursos.

IPO
O Méliuz abriu capital na bolsa em novembro, quando levantou R$ 661,7 milhões na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), sendo R$ 366,99 milhões para o caixa da companhia.

A estratégia de novas aquisições, segundo o CEO, mira empresas de tecnologia para serviços financeiros e marketplace.

Em 2020, o Méliuz teve lucro líquido de R$ 19,729 milhões, com crescimento de 31,2% sobre o resultado de 2019. A receita líquida foi de R$ 125,4 milhões em 2020, com crescimento de 53,9%. No acumulado de 2020, o Ebitda atingiu R$ 30,3 milhões, com expansão de 186% sobre 2019. A receita líquida com o marketplace alcançou R$ 110,8 milhões, 38% superior ao resultado do ano anterior.

Instagram/Méliuz
Expansão da base de usuários e da equipe
Além da expansão internacional, a empresa de cashback Méliuz tem como prioridade aumentar a base de usuários em novos produtos e a equipe interna este ano.
A oferta de 30 produtos de crédito, lançada este mês, com 20 instituições financeiras, a recarga de celular, também lançada no primeiro trimestre, além de cartões de crédito e parcerias diretas com grandes marcas destacam-se entre as frentes de trabalho este ano.
O Méliuz Nota Fiscal, que oferece cashback para produtos de marcas como Faber-Castell, Heineken, Seara e Unilever, saltou de 15,7 mil usuários no terceiro trimestre para 65,3 mil usuários ativos no quarto trimestre de 2020. No mesmo período, o volume de ofertas ativadas cresceu de 34,9 mil para 123 mil.
O cartão de crédito internacional, lançado há dois anos, também apresentou um crescimento acelerado no fim do ano. Do terceiro para o quarto trimestre, o volume de emissões do Cartão Méliuz quase dobrou, de 1,6 milhão para 3,1 milhões de cartões emitidos. O cartão busca atrair usuários oferecendo até 1,8% de dinheiro de volta em compras e sem cobrança de anuidade.
Outra prioridade da empresa é ampliar a equipe. Desde a abertura de capital, em novembro, o time cresceu de 140 para 182 pessoas.
“Nossa prioridade máxima é trazer gente boa mantendo a qualidade e a cultura da companhia”, disse Salmen. Hoje, a empresa conta com 74 vagas abertas, com foco na área de tecnologia.
Setor de viagens
A paralisação do setor de viagens, por conta da pandemia, gerou um impacto no valor médio de transações na plataforma de cashback do Méliuz em 2020. “O setor de viagens ainda está sofrendo muito”, disse Salmen, na teleconferência com analistas. “Acreditamos que, com o sucesso da vacinação e as coisas voltando ao normal, a gente consiga retomar o GMV [volume bruto de vendas] em viagens.”
Sem os pacotes de viagens, o marketplace do Méliuz alcançou um volume bruto de vendas (GMV, na sigla em inglês) de R$ 2,5 bilhões no fim de 2020. Na comparação trimestral houve um avanço de 57% sobre o resultado do 4º trimestre de 2019.
O volume total de pagamentos (TPV, na sigla em inglês) na plataforma foi de R$ 505,6 milhões nos três últimos meses de 2020, avanço de 608% sobre igual período do ano anterior.

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