O Brasil é muito importante para o mercado de criptomoedas, diz presidente da Binance
A companhia entrou com US$ 500 milhões para ajudar na compra do Twitter, por Elon Musk “Hoje vemos as criptos com uma relação próxima com o mercado de ações, diz Changpeng Zhao, fundador e presidente da corretora Binance
Ramsey Cardy/Web Summit via Sportsfile
O Brasil é um mercado grande e importante no segmento de criptomoedas, especialmente para a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo. Quem afirma é o próprio presidente da empresa, Changpeng “CZ” Zhao, fundador e presidente da companhia.
Durante coletiva de imprensa no evento de inovação e tecnologia Web Summit, que acontece em Lisboa, o executivo afirmou que o país está no radar da empresa e lembrou a recente aquisição da corretora Sim.paul.
“O Brasil é um mercado muito grande, muito importante e relativamente rentável. Fizemos uma aquisição local, da Sim.paul, e temos dois escritórios no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eu visitei o Brasil há alguns meses, é um lugar fantástico”, afirmou o executivo. “Me encontrei com alguns reguladores, com o prefeito do Rio, com o governador de São Paulo, são todos ótimas pessoas e pró-cripto, então estamos bem confiantes no investimento que temos lá.
O empresário ainda comentou a aquisição do Twitter por Elon Musk. A companhia entrou com US$ 500 milhões para ajudar na compra, mas Zhao fez questão de destacar que sua participação é minoritária e que ele confia no novo mandatário porque ele “sabe gerir uma plataforma”.
Ao ser questionado sobre as mudanças de Elon Musk no comando da empresa, se aceitaria fazer parte do novo conselho, Zhao afirmou que, caso fosse convidado por Musk, ele aceitaria “como um favor”, uma vez que prefere discussões mais direcionadas, no formado “um a um” do que em grandes grupos. “[Integrar o conselho] Não é algo que eu esteja morrendo de vontade de fazer”, disse.
Monetizar o Twitter
O executivo também falou sobre os planos do dono da Tesla de monetizar a plataforma, inclusive por meio de transações com criptomoedas. Segundo Zhao, a Binance tem soluções como a ferramenta Binance Pay, que poderia ser útil para a rede social, uma vez que ela é compatível com diferentes tipos de criptomeodas e poderia suportar diferentes tipos de negociações. “Queremos ser apoiadores, temos tecnologia, produtos, know how, então podemos ajudar”, afirma.
O executivo também falou sobre a queda recente das criptomoedas. Os ativos, assim como as ações, vêm sendo penalizados pelo cenário de inflação e, consequentemente juros mais altos, que faz os investidores optarem por produtos de renda fixa.
“Hoje vemos as criptos com uma relação próxima com o mercado de ações. Hoje elas vão para o mesmo lugar. Isso acontece porque muita gente tem criptos e negocia ações. São os mesmos investidores”, afirma. “Quando as pessoas precisam de dinheiro, elas vendem as ações e as criptos”, diz. Ele destaca, no entanto, que segue otimista com as criptomoedas, que vêm ganhando cada vez mais utilidades, além do mercado se tornar cada vez maior e mais robusto.
Por fim, Zhao também comentou a criação de moedas digitais por parte dos bancos centrais. O executivo, no entanto, fez questão de destacar que existem algumas diferenças fundamentais entre as criptomoedas “originais” e as lançadas pelas autoridades monetárias.
“As principais moedas são diferentes dos bancos centrais. Ainda que as dos bancos centrais usem tecnologia etc., as versões que eu conheço têm diferenças fundamentais. Uma delas é que as dos bancos centrais têm uma oferta limitada, diferente das outras criptomoedas, como bitcoin, ethereum etc”, diz.

