O que são CRIs e CRAs?

Esses investimentos de renda fixa oferecem isenção de Imposto de Renda e de IOF – entenda se há outros benefícios
Marcelo Andreguetti (IF)
Os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) estão atrelados à securitização de dívidas, que são transformadas em títulos de crédito. Uma construtora pode buscar no mercado soluções para antecipar recebíveis, e aí entram os investidores: eles aplicam recursos em troca de rentabilidade prefixada, pós-fixada ou híbrida. Quem investe em CRI, portanto, está rentabilizando dívidas relacionadas a imóveis.
Os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) funcionam de maneira semelhante, mas financiam projetos do setor agrícola. Uma securitizadora transforma débitos em uma série de pacotes em que os investidores interessados aportam recursos. Aplicar em CRA significa financiar empréstimos envolvidos no agronegócio.
A principal vantagem de CRIs e CRAs é a isenção de Imposto de Renda e IOF para pessoas físicas. Com a ausência de tributação, o retorno líquido pode ser superior a outras opções tributadas. Dessa forma, há oportunidade de diversificar a carteira e obter ganhos com renda fixa. Alguns títulos pagam durante todo o investimento, mensal ou semestralmente. Dependendo do produto escolhido, o fluxo de recebimentos vira outro componente atraente. CRIs e CRAs também são acessíveis a investidores com os mais variados patrimônios, já que o mercado financeiro oferece títulos com valor inicial a partir de R$ 1 mil.
Risco elevado
Entretanto, os riscos dessas classes de ativos são mais altos do que os de alternativas em renda fixa. Um deles é o de liquidez: os títulos têm prazo variável, alguns de até 15 anos. Em geral, duram de três a cinco anos. Para atingir a rentabilidade esperada, você deve aguardar o vencimento. Quem precisar resgatar o valor antes do prazo terá de negociar o título no mercado secundário, e as condições estarão sujeitas à procura no momento.
Também existe o risco de crédito. Como CRIs e CRAs não têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), se as empresas não pagarem suas dívidas, o rendimento fica comprometido. Para driblar esses entraves e proteger recursos dos investidores, muitos produtos oferecem garantias dos próprios setores imobiliário e agrícola, como um imóvel ou a safra. Outra dica é dar preferência a certificados que reúnam múltiplos devedores, o que dilui o impacto da inadimplência.
Para quem é indicado?
Quem pode esperar por retorno de médio ou longo prazo tem nos títulos uma alternativa interessante para compor a carteira. Se você está disposto a correr alguns riscos em troca de ganhos potencialmente mais altos com renda fixa, vale considerar aplicar parte do patrimônio em Certificados de Recebíveis Imobiliários ou do Agronegócio. Antes de investir em um certificado, informe-se sobre o cálculo de rentabilidade, prazos, riscos e garantias, que são apresentados em seu termo de securitização. Emitidos pelas securitizadoras, os títulos são vendidos por corretoras de valores e podem ser adquiridos de forma 100% digital.
5 aprendizados para guardar sobre CRIs e CRAs
Ambos são certificados de recebíveis e estão atrelados à securitização de dívidas, que são transformadas em títulos de crédito.
Investir em CRI significa aplicar em dívidas relacionadas a imóveis. aplicar em CRA é financiar empréstimos envolvidos no agronegócio.
A principal vantagem de CRIs e CRAs é a isenção de Imposto de Renda e IOF para pessoas físicas.
A ausência de tributação possibilita que o retorno líquido seja superior ao de outras opções tributadas de investimento.
Antes de investir em um certificado, informe-se sobre o cálculo de rentabilidade, prazos, riscos e garantias.

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