Para cofundador do Nubank, cripto tem potencial para aumentar inclusão e reduzir custos

Segundo David Vélez, essa é uma das razões pelas quais a fintech decidiu aplicar até 1% de seu caixa nos ativos digitais O cofundador do Nubank David Vélez afirma ver as criptomoedas e a tecnologia blockchain como o fenômeno mais “disruptivo” do setor financeiro global, com potencial para aumentar a inclusão e reduzir os custos de transferências. E essa é uma das razões pelas quais a fintech decidiu aplicar até 1% de seu caixa nos ativos digitais.
Ao mesmo tempo, o banqueiro diz que há “muito ruído” no mercado de criptomoedas, com alguns ativos que não se sustentam. “Que tem muito barulho e muito token que não faz sentido, tem. Muita coisa que não faz sentido nenhum”, afirma, em entrevista ao Valor.
Segundo Vélez, foi por esse motivo que o Nubank optou por lançar uma plataforma para os clientes negociarem criptomoedas com apenas duas delas, bitcoin e ethereum, em parceria com a Paxos Trust.
“A gente não foi lá e colocou 40 tokens, que no final não faz muito sentido. Tem muito barulho aí. Mas fundamentalmente a gente acha que é a teoria mais disruptiva dos próximos dez anos na indústria financeira global”, diz.
O fundador do Nubank afirma que investir uma fração do caixa em criptomoedas também é uma forma de se alinhar aos clientes, já que essa possibilidade foi ofereceida a eles.
“É um jeito de falar que a gente tem sim convicção, não suficiente para comprar 50% do nosso caixa, é uma tecnologia com muito risco ainda, muito nova. É possível que a gente esteja errado, completamente possível, mas 1% faz sentido e de alguma forma mostra que a gente está alinhado.”
Segundo Vélez, apesar da aprovação para aplicar 1% do caixa em ativos digitais, esse patamar só deve ser alcançado aos poucos. Em paralelo, ele afirma que o Nubank tem várias equipes trabalhando em projetos relacionados a criptomoedas e blockchain, mas não abre detalhes. “É algo em que a gente quer investir e focar nos próximos anos.”
Regulação cripto
Vélez diz ver a onda atual pró-regulamentação das criptomoedas como algo positivo e negativo ao mesmo tempo. O lado bom é que “reconhece e traz à luz um ativo que estava meio no mercado informal e é melhor formalizar o que já vinha acontecendo”, afirma, acrescentando que os Estados Unidos estavam muito atrasados nessa abordagem regulatória e é importante que a maior economia do mundo crie parâmetros. O ruim é que, se o peso da regulação for excessivo, pode matar a inovação.
“Tem o risco de o pêndulo ir demais e aí basicamente tirar o oxigênio de uma das tecnologias mais interessantes que existem hoje no mundo e que pode trazer valor para a sociedade. Tem muita ineficiência no setor financeiro, é muito caro transferir dinheiro de um país para outro, os juros são muito altos. É uma tecnologia que fundamentalmente pode aumentar a inclusão financeira e reduzir o custo de serviços financeiros globalmente. Tem esse potencial.”

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