Parcela de famílias endividadas em abril bate recorde, aponta CNC

Um cenário de “inflação persistentemente alta” e de renda comprometida com pagamento de dívidas levou ao resultado, informou a entidade A parcela de famílias endividadas na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) registrou em abril o maior patamar da série da pesquisa, iniciada em janeiro de 2020. Segundo a entidade, a fatia de famílias que se declararam com dívidas no quarto mês de 2022 ficou em 77,7%, patamar recorde para a Peic, se situando acima de março (77,5%) e de abril de 2021 (67,5%). Um cenário de “inflação persistentemente alta” e de renda comprometida com pagamento de dívidas levou ao resultado, informou a entidade.

Ainda segundo a entidade, cerca de 30,2% do orçamento familiar em abril desse ano foi direcionado para pagar dívidas, 0,2 ponto percentual maior do que em abril de 2021.
Os indicadores de inadimplência também pioraram tanto na comparação com mês imediatamente anterior quanto ante igual mês de ano anterior. Entre os endividados, 28,6% declararam atraso na quitação dos débitos, acima de março (27,8%) e de abril de 2021 (24,2%). Esse porcentual também foi recorde para a pesquisa. Entre os que estão com dívidas atrasadas, e informaram não ter condição de quitar compromissos, a fatia ficou em 10,9% em abril, acima de março (10,8%) e de abril de 2021 (10,4%). A fatia é a maior desde dezembro de 2020.
Na Peic, entre as famílias de menor renda, com até dez salários mínimos, o indicador de contas/dívidas atrasadas destacou-se ao alcançar 31,9% das famílias desse grupo, o maior nível histórico para a pesquisa, informou ainda a entidade. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o percentual também aumentou e alcançou 13,5% de famílias, o maior percentual desde abril de 2016, detalhou ainda a instituição.
Em comunicado, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, avalia que a alta da inadimplência nas duas faixas de renda está associada ao consumo em um pior ambiente inflacionário. “Os orçamentos mais acirrados têm levado mais famílias a atrasarem o pagamento de contas e dívidas e usarem mais o cartão de crédito, que é a modalidade de dívida para o consumo de curto prazo”, informou.
Ainda segundo a economista, os dois indicadores de inadimplência da Peic apontam tendência positiva maior entre as famílias de menor renda. Além disso, o contínuo encarecimento do crédito e a fragilidade apresentada no mercado de trabalho devem seguir afetando negativamente a dinâmica da inadimplência, notou a pesquisadora.
A inflação alta, persistente e disseminada (IPCA em 11,3% ao ano) mantém a necessidade de crédito para recomposição da renda, fazendo com que as famílias encontrem nos recursos de terceiros uma saída para a manutenção do nível de consumo, resumiu no comunicado o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Pixabay

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