Pix é o meio mais usado por pequenos negócios
Adesão é maior entre MEIs, que não têm de pagar taxas Carol Mello, da Caramello Doceria: Pix substituiu TED e DOC e é usado por 80% dos clientes para pagar encomendas
Silvia Zamboni/Valor
O Pix já é o principal meio de pagamento para os pequenos negócios e tem atuado como um facilitador para empreendedores, de acordo com uma pesquisa inédita conduzida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo IBGE.
A ferramenta digital é a principal forma de recebimento de pagamentos para 42% dos microempreendedores individuais (MEI) e micro e pequenas empresas (MPE). O levantamento ouviu, entre o fim de agosto e as duas primeiras semanas de setembro, mais de 6 mil empresários de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.
O Pix encontra sua maior aceitação entre quem é MEI: 51% desses empreendedores afirmam que esse já é o principal meio em suas vendas. Já para MPE, a ferramenta é a mais utilizada em 28% dos casos – mas, nesse segmento, o uso de cartão de crédito ainda é um pouco superior, com os cartões representando a principal forma de pagamento para 30%. Assim, somando as duas categorias, chega-se a 42% para quem tem um pequeno negócio.
Há um fator que ajuda a explicar a forte adesão do Pix entre os microempreendedores individuais. Assim como acontece som as pessoas físicas, quem é MEI não paga taxa para transferir ou receber dinheiro por meio do sistema de pagamentos instantâneos. Já as empresas pagam pela operação da ferramenta aos bancos nos quais são credenciadas.
O Pix já era amplamente aceito por grandes varejistas e no e-commerce, onde só perde para o cartão de crédito. Agora, os dados também mostram avanço entre pequenas companhias.
O crescimento já era percebido em pesquisas anteriores, segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles. “Agora, constatamos que o meio digital vem ocupando, cada vez mais, lugar de destaque entre as formas de pagamento usadas pelos empreendedores”, afirma ao Valor.
Para ele, a principal vantagem da ferramenta para o pequeno empreendedor é permitir o recebimento de forma instantânea, o que ajuda a manter o fluxo de caixa e ter melhor controle financeiro. “A disponibilização imediata dos recursos para o empresário também pode ajudá-lo a reduzir a necessidade de crédito e ajudar na antecipação de recebíveis”, diz.
Dados do Banco Central (BC) mostram o forte crescimento do Pix no Brasil em praticamente todas as categorias desde novembro de 2020, quando a ferramenta foi lançada. Em setembro, havia 22,9 milhões de chaves cadastradas por pessoas jurídicas.
Carol Mello, 46, é uma microempreendedora individual dona da Caramello Doceria, em São Paulo. Desde 2015, faz biscoitos, bolos, doces e brigadeiros. Segundo ela, até há pouco tempo, TED e DOC eram a primeira opção do cliente para pagar pelas encomendas. “Agora, quase todos só pagam com Pix”, afirma a empresária, que estima que 80% das vendas sejam fechadas com o meio instantâneo.
A mudança, para ela, é positiva. “A primeira facilidade é que o pagamento entra na hora. E aliado a isso, tem o fato de ser gratuito, o que atraiu as pessoas”, diz.
No dia a dia de seu negócio, Mello usa a ferramenta também para comprar insumos de fornecedores. “Não gosto de trabalhar com cartão de crédito. Antes, precisava ir atrás de boleto, era mais confuso”, destaca.
A doceira produz, em média, 60 bolos decorados por mês e, diariamente, confecciona doces sob encomenda. A produção, antes feita em casa, foi transferida em maio para um ateliê no bairro de Higienópolis, que Mello divide com outra empresária.
Na avaliação de Boanerges Ramos Freire, presidente da Boanerges & Cia Consultoria, especializada em serviços financeiros, o fato de o Pix ser acessível e menos complexo quando comparado a outras alternativas faz com que a ferramenta “destrave” a venda dos menores. “Cartões são mais custosos, tendo em vista as taxas cobradas. Assim, adotar o Pix é interessante e alguns comerciantes dão até desconto na hora do pagamento por meio da ferramenta”, observa. Ainda assim, para ele, a rapidez com que a ferramenta vem sendo adotada nos pequenos surpreende.
Freire pondera, no entanto, que ainda há espaço de melhora, principalmente nos aplicativos dos bancos. “O uso de QR Code facilita bastante, mas ainda não está sendo usado amplamente como poderia”, afirma.

