Prática circular: reciclável, dinheiro vai do bolso para o cimento

Nos últimos dois anos, foram recolhidas 838 milhões de cédulas e 300 mil moedas sem condições de circulação. material é reaproveitado

O dinheiro também pode ser um exemplo de circularidade, prática que tem tudo a ver com sustentabilidade, pois se baseia na ideia de produzir, usar, reciclar e reaproveitar, fazendo assim mover a roda contra o desperdício e o aumento do lixo, que poluem e geram emissões de gases do efeito estufa. E o dinheiro entra nesse giro, porque notas e moedas sem condições de uso são retiradas de circulação, mas ganham nova vida.
O processo começa quando o Banco Central (BC) autoriza a emissão de dinheiro e contrata o fabricante: a Casa da Moeda do Brasil (CMB), que foi fundada em 1694 e hoje está instalada na zona oeste da capital fluminense. Ao chegar ao local, o papel passa por análise laboratorial para verificar se atende às especificações técnicas.
O papel moeda é fornecido pela BP Security, companhia sediada em Salto (SP). O produto é um material composto de linho e fibra de algodão, apresentando textura mais firme e áspera que o papel comum. Ele é resistente a ponto de, por exemplo, não estragar facilmente pela água do mar. Ele também possui elementos de segurança como fio e fibras.
Concluída a impressão e cunhadas as moedas – feitas de aço carbono com banho de cobre (5 centavos) ou banhadas com liga de bronze (10 e 25 centavos), de inox (50 centavos) e de inox e aço carbono revestidas com bronze (1 real) – todo o dinheiro é enviado para o Banco do Brasil, que é contratado pelo BC para ser a instituição custodiante. Como tal, armazena e distribui o dinheiro para os bancos, que fazem o repasse às pessoas e empresas.
No entanto, notas e moedas vão sentindo os efeitos do tempo e do manuseio constante. O desgaste pode chegar a ponto de inviabilizar seu uso. Quando isso acontece, esse dinheiro, então, é entregue nos bancos e o Banco do Brasil é encarregado de retirar o material nas instituições financeiras em nome do Banco Central. Nos dois últimos anos foram recolhidas, em média, 838 milhões de cédulas e 300 mil moedas sem condições de circulação, informa o o BC.
Uma empresa contratada pelo BC prepara esse material para ser utilizado como insumo energético na produção de cimento. Assim, contribui para reduzir o uso de recursos não renováveis, evitar a emissão de gás carbônico e o envio para aterros sanitários, eliminando passivos ambientais.
Em relação às moedas, a operação para reciclagem é conduzida pela Casa da Moeda, que recebe o material e faz sua descaracterização, por um processo mecânico. Depois, o metal é vendido para ser fundido em siderúrgicas, retornando ao estado de origem do aço.

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