Rio negocia instalação de escritório da Nasdaq focado em finanças verdes
O secretário de Fazenda da cidade do Rio disse que o encontro é um esforço da prefeitura de reconquistar parte do mercado financeiro, que saiu da cidade com o fechamento da Bolsa de Valores do Rio em 2000 Representantes do governo do Rio de Janeiro e da prefeitura da capital fluminense estão reunidos nesta terça-feira (8) com executivos da Nasdaq, a segunda maior bolsa de valores do mundo depois da de Nova York. A intenção é formalizar uma filial da Nasdaq no Rio com foco em ativos sustentáveis, como créditos de carbono.
Integram a comitiva brasileira o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL). o secretário da Fazenda Estadual, Nelson Rocha. e o secretário de Fazenda da capital, o deputado federal licenciado Pedro Paulo de Carvalho, além de técnicos dos dois governos.
Pedro Paulo informou que o encontro se insere no esforço da prefeitura de reconquistar parte do mercado financeiro — desta vez especializado — que saiu da cidade com o fechamento da Bolsa de Valores do Rio em 2000.
O objetivo não é competir com o mercado tradicional de ações de São Paulo, mas buscar esse mercado de ativos financeiros sustentáveis e também de criptoativos, disse Pedro Paulo.
Bolsa Verde
De fato, o tema é recorrentemente citado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD). A prefeitura já anunciou o estabelecimento de um mercado voluntário de crédito de carbono, a chamada Bolsa Verde. Para tanto, em dezembro, foram divulgadas a pretensão de se reduzir de 5% para 2% a alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) incidente sobre empresas certificadoras ou desenvolvedoras de projetos sustentáveis e consultorias ambientais para as atrair à cidade.
Já as companhias de qualquer setor que comprarem os créditos gerados por atores instalados no Rio, a fim de compensar suas emissões, contarão com incentivos ligados ao ISS, como a possibilidade de reverter o encargo em investimentos nesse mercado.
Um grupo de trabalho composto por servidores das secretarias de Fazenda e Planejamento e de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação da prefeitura trabalha no detalhamento do projeto.
Segundo o governo estadual, além das reuniões na Nasdaq, Claudio Castro e equipe terão reuniões com representantes de instituições financeiras e das Nações Unidas. Um dos objetivos é renegociar com os bancos BNP Paribas e Mizuho cláusulas contratuais da Operação Delaware, uma série de antecipações de receitas de royalties de petróleo e participação especial pelo Estado, sobretudo no mandato do ex-governador Sérgio Cabral (2007-2014), que comprometeram essas fontes até 2027.
A agenda envolve, ainda, a busca por parcerias para garantir melhorias nas áreas de desenvolvimento econômico e meio ambiente, informou o governo. Uma das frentes, apurou o Valor, é o auxílio técnico e o financiamento para a recuperação de municípios que sofreram com desastres naturais, como Petrópolis, vítima de enchentes.

