Sob protesto da comunidade acadêmica, leilão para reconstrução da casa de shows Canecão é suspenso
Espaço, no Rio de Janeiro, é praticamente uma instituição cultural para cariocas, tendo sido palco de shows dos gigantes da MPB e de inúmeros artistas internacionais A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) suspendeu o leilão da área onde ficava a antiga casa de shows Canecão, na zona sul do Rio, devido a um protesto de representantes da comunidade acadêmica. O terreno pertence à instituição de ensino. O espaço é praticamente uma instituição cultural para cariocas, tendo sido palco de shows dos gigantes da MPB e de inúmeros artistas internacionais.
Contrários ao modelo de concessão, representantes do corpo docente, discente e de quadros técnicos gritaram palavras de ordem momentos antes de os envelopes serem abertos. O certame chegou a ser suspenso por 10 minutos, mas diante do impasse, foi anunciada o cancelamento. A expectativa da universidade é que o processo seja retomado ainda nessa quinta-feira (2).
Os manifestantes afirmam que a comunidade acadêmica não foi consultada e que não foram realizados os estudos técnicos necessários para o projeto. O reitor em exercício da UFRJ, Carlos Frederico Leão Rocha, rebateu as acusações.
“Nós fizemos quatro conselhos universitários para tratar desse assunto e, ao final, houve uma votação amplamente favorável”, disse. “O estudo de impacto ambiental será apresentado no projeto executivo e está previsto em lei”, afirmou.
Essa é a segunda vez que a UFRJ tenta leiloar a área da antiga casa de shows. O primeiro certame, em 19 de dezembro, foi cancelado porque os interessados pediram mais tempo para analisar a proposta. Desde então, o projeto modelado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sofreu algumas alterações, como a redução do valor de comprovação do patrimônio líquido para as licitantes, bem como o capital social mínimo das interessadas.
No certame que seria realizado nessa quinta, no centro do Rio, o grupo WTorres e um consórcio formado pelas empresas Klefer – de Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo – e Bonus Track Entretenimento apresentaram envelopes que não chegaram a ser abertos. O valor mínimo de outorga, cobrado no momento da assinatura, é de R$ 625 mil. A concessão tem prazo de 30 anos, com valor de investimentos obrigatórios estimado em R$ 137,7 milhões, sendo R$ 53,7 milhões nas instalações acadêmicas e R$ 84 milhões na parte cultural.

