Startups brasileiras reduzem operações e amargam demissões em massa

Apesar das constantes notícias de startups brasileiras ganhando aportes milionários nos últimos anos, começamos a ver sinais de que a fonte está secando. Segundo reportagem do Estadão, várias empresas de inovação desaceleraram suas operações e até realizaram demissões em massa no último ano e meio. Startups inovam no acesso à água, mas esbarram no desinteresse de gestores Google aponta que Brasil saltou de 5 mil para 13 mil startups em 5 anos A notícia mais recente neste sentido ocorreu nesta semana: a Kavak, mexicana do setor de carros usados avaliada em US$ 8,1 bilhões (R$ 41 bilhões) em 2021, dispensou funcionários brasileiros desde março — a Exame fala em 150, e o Estadão, em 300. Procurada pelo jornal, a empresa não quis comentar o assunto. Outros exemplos recentes foram: -Siga no Instagram: acompanhe nossos bastidores, converse com nossa equipe, tire suas dúvidas e saiba em primeira mão as novidades que estão por vir no Canaltech.- QuintoAndar demitindo cerca de 160 funcionários em abril. Loft demitiu 159 pessoas em abril após concluir a integração com a CrediHome. Espanhola Cabify anunciou fim das operações no Brasil no ano passado. Americana Uber Eats deixou de atuar no Brasil em janeiro deste ano. Facily demitiu mais de 1.000 pessoas após superar valor de US$ 1 bilhão. Bitso, mexicana do mercado de criptomoedas, demitiu 80 pessoas globalmente, inclusive no Brasil. Domestika, americana de cursos online, demitiu 200 por todo o mundo, sendo 40 cortes no Brasil. Favo, peruana de supermercado online, encerrou operações no Brasil no início de junho, dispensando no país 171 pessoas. Olist demitiu aproximadamente 150 funcionários no final de maio. Grupo 2TM, dono do Mercado Bitcoin, demitiu 90 dos cerca de 750 funcionários. A reportagem justifica o momento ruim à crise macroeconômica global e aumento dos juros causados pela retomada pós-covid e pela guerra na Ucrânia. Esses fatores vêm preocupando investidores e afastando novos aportes em startups, empreendimentos arriscados por natureza. Brasil tem cenário considerado desafiador para startups estrangeiras (Imagem: Reprodução/Austin Distel/Unsplash) Além disso, no caso do Brasil, o cenário é considerado desafiador para empresas de fora apostarem em expansões, devido à alta competição no ambiente de inovação e à necessidade de altos investimentos para conquistar território. Como exemplo disso, a UberEats e a espanhola Glovo, ambas do ramo de entregas, atribuem suas respectivas saídas do Brasil à concorrência pesada com a brasileira iFood e a colombiana Rappi. Ainda assim, o Brasil ainda é visto como estratégico para a expansão de startups latinas, por razões como ser um local importante para conquistar mercado, testar soluções e atingir novos consumidores. “O fato de o Brasil ter nível baixo de produtividade e muita ineficiência significa que temos muito espaço para adotar tecnologia”, explicou ao Estadão Felipe Matos, presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

Share