Telefônica projeta R$ 5,4 bi em sinergias relacionadas à compra da fatia da Oi

Diretor-presidente da empresa, Christian Gebara diz que com a operação de compra, a Vivo passa de menor operadora de serviços móveis entre os concorrentes no Nordeste para líder em cinco Estados da região A Telefônica Brasil, dona da Vivo, estima sinergias de R$ 5,4 bilhões, inicialmente, relacionadas à compra de uma fatia da Oi Móvel. O valor coincide com o montante que a companhia assinou no acordo para compra do ativo em uma aliança feita com a TIM Brasil e Claro. O valor total da aquisição pelas três operadoras foi de R$ R$ 15,92 bilhões.

As informações foram de executivos da Telefônica, em teleconferência para dar detalhes da operação a analistas.

As sinergias levam em conta gastos operacionais e de capital. Só em custos, a expectativa é de redução de R$ 1,8 bilhão.
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“Neste momento ainda não consideramos nenhuma sinergia de receita porque precisamos entender melhor os padrões de consumo e o perfil de crédito dos novos usuários, o que só poderemos saber ao longo do tempo”, disse David Melcon, diretor financeiro da Telefônica.

Na medida em que incorporamos esses ativos e limitamos os custos adicionais, acreditamos que conseguiremos extrair um Ebitda e margem de fluxo de caixa operacional de 70% dessas receitas, o que melhorará mais nossa rentabilidade no futuro”, acrescentou Melcon.

O negócio foi concluído no dia 20, quando a Telefônica pagou em dinheiro à Oi R$ 4,9 bilhões. O diretor-presidente da Telefônica, Christian Gebara, disse que 100% da transação “é financiada pela posição muito sólida de caixa da Vivo”.

Do valor total pela compra, a Telefônica está retendo 10%, ou R$ 488 milhões, por 120 dias após o acordo, para eventuais ajustes no contrato. Vivo se compromete com “earnout” (pagamento adicional) de até R$ 115 milhões a serem pagos nos próximos 12 meses, condicionados a alguns objetivos estabelecidos no acordo.

Na compra do ativo, a Telefônica ficou com 12,5 milhões de clientes móveis, 43 megahertz de espectro e 2,7 mil contratos para uso de sites.
Ex-calcanhar de Aquiles
A compra de uma fatia da Oi Móvel pela Telefônica garante à Vivo passar de menor operadora de serviços móveis entre os concorrentes no Nordeste, para líder em participação de mercado em cinco Estados da região, de acordo com Gebara.
A Vivo recebe 12,5 milhões de clientes móveis da Oi. Do total, 37% são do serviço pós-pago e 63% do pré-pago. Sua base total passa a contar com 97 milhões de acessos, ou clientes, sendo 56% em pós-pago. Ao somar o serviço de rede fixa, a Vivo fica com um total de 112 milhões de acessos.
O “calcanhar de Aquiles” da Vivo era o Nordeste. Nessa região, a operadora chegou mais tarde, depois dos concorrentes já estabelecidos, além do impacto de outros processos do setor de telecomunicações nas últimas décadas, segundo o executivo.
Coube à Vivo a maior parte de clientes da Oi no Nordeste justamente por sua menor participação na região, exceto na Bahia e em Sergipe. A operadora ficou também com clientes de dois DDDs do Paraná e um do Estado de são Paulo.
“Tínhamos a menor rede móvel [no Nordeste] em relação a dados, porque tínhamos muitas obrigações que vieram de opções passadas, que nos obrigaram a implementar muita infraestrutura nessa região”, disse Gebara. “Agora, vamos capturar esses clientes, mas já temos muita capacidade para atendê-los. Por isso, algumas sinergias vêm daí.”
A companhia já dispõe de rede, espectro e atendimento ao cliente nesses Estados. Para atrair e manter os usuários que serão migrados da Oi, acena com a qualidade de rede, acesso em 4G, 4,5G e 5G (em implantação), atendimento presencial em 350 lojas próprias, além das parceiras. “Um alcance comparável ao dos maiores varejistas”, disse Gebara, referindo-se às lojas.
O que falta, segundo o executivo, talvez seja o custo adicional marginal para atender esses clientes. “Por isso, temos certeza de 70% de fluxo de caixa operacional.”
Os clientes da Oi geram receita líquida mensal de R$ 135 milhões, de acordo com dados relativos a março citados pela Telefônica.
“Na medida em que incorporamos esses ativos [da Oi] e limitamos os custos adicionais, acreditamos que conseguiremos extrair um Ebitda e margem de fluxo de caixa operacional de 70% dessas receitas, o que melhorará mais nossa rentabilidade no futuro”, explicou Melcon.
A Vivo está começando a trabalhar na integração dos ativos que recebeu na aquisição — sites, clientes e espectro. A previsão de conclusão é para o primeiro trimestre de 2023.
Vendas de equipamentos
A Telefônica planeja vender metade de todos os equipamentos eletrônicos dos 2,7 mil sites que recebeu na compra de uma parte da Oi Móvel daqui a oito meses. Os sites são os locais onde estão as torres de telefonia, antenas e equipamentos eletrônicos para a comunicação das redes das operadoras
No entanto, os contratos de aluguel dos sites com gestoras de torres poderão ser mantidos para uso futuro de 5G.
Todos os sites que a Telefônica recebeu da Oi são alugados. “Os ativos que compramos da Oi não incluem a propriedade dos sites”, disse Gebara, ao falar nesta quinta-feira (28) em teleconferência com analistas.
Desse modo, os contratos de aluguel fazem parte da otimização dos sites que a Telefônica planeja fazer futuramente, o que inclui eliminar a sobreposição desses ativos entre os que vieram da Oi e os da própria Vivo.
“Se eu vender os equipamentos eletrônicos para outra operadora, eu tentaria também oferecer o contrato de aluguel. É preciso negociar”, disse Gebara, considerando esse como o primeiro movimento.
“Mas posso também vender os eletrônicos e manter os contratos de aluguel. Nesse caso, será uma negociação entre a Vivo e a empresa dona da torre, porque teremos contratos diferentes em sites diferentes, e não só dos que estamos adquirindo da base da Oi. Vamos ter que negociar os contratos em geral. É muito cedo ainda para dizer quais serão os resultados.”
Todos os equipamentos eletrônicos dessa aquisição são de rede 3G da Oi. Mas o executivo disse que pode manter os sites para implantar 5G. Nesse caso, seriam instalados equipamentos destinados a essa nova geração tecnológica.
No entanto, Gebara disse que não há intenção de encerrar nenhum contrato de aluguel, por enquanto.
Diretor-presidente da Telefônica, Christian Gebara
Carol Carquejeiro/Valor

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