Valor Capital vai investir em startup nascente de infraestrutura ‘cripto’
No radar, estão desde provedores de infraestrutura até soluções de finanças descentralizadas (DeFi), NFTs (tokens não fungíveis), games e as chamadas DAOs (organizações autônomas descentralizadas) A Valor Capital, uma das maiores gestoras de venture capital em atuação no Brasil, decidiu montar uma estrutura de investimento em empresas nascentes – “seed investment” – específica para financiar startups e projetos envolvendo criptoativos. A gestora captou US$ 500 milhões em sua nova série de fundos de capital de risco, que poderá alocar até 20% dos recursos no ecossistema cripto e de tecnologia blockchain.
No radar da gestora, estão desde provedores de infraestrutura até soluções de finanças descentralizadas (DeFi), NFTs (tokens não fungíveis), games e as chamadas DAOs (organizações autônomas descentralizadas), cujos contratos inteligentes prometem revolucionar transações financeiras e comerciais.
Um dos exemplos é a Ribon, uma startup de Brasília que criou uma plataforma de tokens para financiar filantropia e que a Valor Capital pretende apresentar para os maiores bolsos do segmento no mundo. Outro é a Strike, de carteira digital, que ajudou El Salvador a adotar o bitcoin como moeda corrente. A Strike iniciou sua operação recentemente na Argentina como opção para proteger o dinheiro contra a inflação por meio de criptomoedas e prepara seu desembarque no Brasil.
Entusiasta do segmento, a gestora encerrou na última terça no Rio o Valor Crypto Summit, evento que reuniu reguladores, autoridades, empreendedores, investidores institucionais e artistas da América Latina para discutir as últimas novidades do mundo cripto.
Para Scott Sobel, cofundador e sócio da Valor Capital, o Brasil desponta como um dos países mais promissores da chamada criptoeconomia por contar com reguladores abertos para as novidades tecnológicas, além de experiências bem-sucedidas que caíram no gosto popular, caso do Pix, o open banking e as experiências de regulação do sandbox da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Banco Central. “O Brasil é o melhor lugar para testar os usos da tecnologia cripto por ter um mercado grande e sofisticado do ponto de vista regulatório”, disse.
Segundo Michael Nicklas, sócio da Valor Capital, os tíquetes dos investimentos “seed” serão modestos – da ordem de US$ 100 mil, sendo o maior cheque de US$ 1 milhão -, mas vários projetos poderão receber recursos e obter suporte técnico para aperfeiçoar processos, ganhar escala e ampliar receitas.
“Historicamente, somos uma casa de investimento ‘early-stage’, mas hoje fazemos ‘full-cycle’, desde ‘pré-seed’. Estamos abertos para diferentes estágios iniciais de startups. Mas o menor projeto poderá ser apenas o de uma pessoa com uma excelente ideia.”
A Valor Capital é considerada uma veterana no setor cripto pelo investimento, ainda em 2014, na exchange americana Coinbase, que abriu o capital no ano passado e chegou a valer US$ 50 bilhões. No portfólio, estão mais de 20 investimentos na criptoeconomia, entre eles a exchange Bitso, a gestora de recursos Hashdex e a provedora de serviços Parfin. Segundo Sobel, desde o investimento na Coinbase, em 2014, a Valor adquiriu know how e competências necessários para investimento na infraestrutura cripto, como custódia, compliance, jurídico e regulatório.
Sobel considera o mais recente “inverno cripto” um desenvolvimento saudável para calibrar o entusiasmo com tecnologias promissoras e disruptivas, como ocorreu 20 anos atrás com a crise das empresas pontocom. “Os melhores projetos vão continuar a ter sucesso. Vai haver briga por qualidade. O inverno cripto é bom para isso.”

