XP e BTG começam a negociar criptomoedas em plataformas

Em jogo está um segmento que no ano passado movimentou R$ 103 bilhões em transações apenas com bitcoin Dois dos maiores players de investimentos, a XP e o BTG Pactual, começaram ontem a negociar criptomoedas em plataformas próprias para ativos digitais. A investida, que chega atrasada em relação ao boom de moedas digitais no ano passado, marca a reação das duas casas para conquistar um mercado que hoje está nas mãos de corretoras “criptonativas”, como Binance, Bitpreço, Mercado Bitcoin e Bitso, entre outras.
Em jogo está um segmento que no ano passado, quando o bitcoin subiu 60%, movimentou R$ 103 bilhões em transações apenas com a maior das criptomoedas, segundo dados da Coin Trader Monitor. Em julho, os negócios com bitcoin somaram R$ 4,05 bilhões.
Como diferenciais em relação às plataformas criptonativas, XP e BTG apostam no histórico de credibilidade conquistado junto ao público investidor, além de um ambiente de negociação já conhecido, com documentos e burocracia de processos de KYC (sigla de “conheça seu cliente”) já equacionados.
Chamada Xtage, a plataforma de criptoativos da XP começou a negociar apenas bitcoin e ether, as duas principais moedas digitais. Já a Mynt, do BTG Pactual, trouxe também solana, polkadot e cardano, moedas menores em termos de capitalização, mas que têm alguns dos maiores seguidores e entusiastas no segmento.
Em relação às plataformas criptonativas, XP e BTG ainda não têm planos de trazer para a prateleira “tokens” que representam aplicações semelhantes à renda fixa e participações em startups, que se tornaram alternativa de investimento para contornar a má fase das moedas digitais no chamado inverno dos criptoativos. Na semana passada, a carteira digital PicPay também entrou no segmento, trazendo ainda a aplicação em uma “stablecoin” atrelada ao dólar.
A XP chega ao mercado de criptomoedas com a meta de atingir pelo menos 200 mil clientes até o fim do ano. Pioneiro entre as plataformas de investimento no segmento, o Nubank afirma ter somado 1 milhão de investidores com apenas um mês de operação. O BTG preferiu não fazer estimativas públicas sobre evolução de clientes.
Para os próximos meses, tanto Xtage quanto Mynt pretendem expandir a variedade de ativos negociáveis na plataforma.
Segundo André Portilho, head de ativos digitais do BTG, o banco já tem infraestrutura para fazer tokenização de ativos, porém, ainda não sabe se vai oferecer esse tipo de aplicação via Mynt ou outra plataforma do BTG.
“É algo que pode trazer muita eficiência para o mercado, mas, enquanto não tiver uma regulação que dê segurança, não podemos trazer este produto para o consumidor final”, afirma.
Já Lucas Rabechini, diretor de produtos financeiros da XP, afirma que a Xtage poderá inclusive oferecer tokens originados por terceiros na plataforma. “Se fizer sentido para nosso cliente e houver demanda, podemos trazer para negociação”, disse Rabechini.
“Tudo tem a ver com a demanda dos nossos clientes. Depende também de questões regulatórias, credibilidade e segurança”, completou Portilho, do BTG.
Fora a negociação em si, as plataformas Xtage e Mynt também trarão conteúdos de educação financeira e material de research para auxiliar os clientes nas decisões de investimento.
XP e BTG afirmam que terão preços competitivos de corretagem em relação às demais plataformas de criptoativos. No caso da XP, os preços das criptomoedas serão dados por formadores de mercado contratados para dar liquidez às negociações, com base nas cotações internacionais e no câmbio entre dólar e real.
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