Diversificação deve incluir revisões periódicas da carteira

Rebalanceamento constante e aportes adicionais são estratégias que fazem parte do bom planejamento financeiro A diversificação do portfólio continua ganhando força entre os investidores. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) deixam clara essa tendência. Embora a renda fixa ainda represente a maior quantidade de contas na indústria de fundos, a parcela de outras classes vem crescendo. Em um ano, a quantidade de contas dos multimercados subiu de 12,7% para 17,3%, e os fundos imobiliários, de 12,3% para 18,8%.
Mesmo com a alta da taxa básica de juros (Selic) – movimento que deve prosseguir este ano -, a tarefa de diversificar a carteira de investimentos está nas recomendações de dez entre dez especialistas em finanças. Compor uma cesta diversificada é fundamental para mitigar riscos e buscar maiores retornos no longo prazo. A migração dos recursos da renda fixa para ativos de maior risco deve ser feita com cautela e sempre analisando cada tipo de aplicação.
Um grande erro é o investidor se deixar seduzir pelas aplicações que deram maiores retornos nos últimos meses, por exemplo. Outro problema é a falta de planejamento, argumenta Fábio Macedo, diretor comercial da corretora Easynvest by Nubank. “A diversificação é um passo do planejamento. Ao saber o que se quer atingir e fazer um planejamento, a diversificação acaba sendo algo natural”, diz. Isso significa, entre outras coisas, definir o objetivo, o horizonte de tempo e a liquidez necessária.
Uma carteira realmente diversificada inclui ativos com correlação negativa, isto é, investimentos que se comportam de maneira diferente diante de um cenário específico. “Diversificação não é pulverização”, define Andressa Siqueira, especialista em investimentos da gestora digital Magnetis. Um problema, segundo ela, é concentrar as fichas num só setor ou produto de investimento. Outro erro é manter a carteira estática ao longo do tempo, sem novos movimentos. “É preciso ter rebalanceamento constante e fazer aportes adicionais”, recomenda.
Mesmo numa carteira conservadora, é possível ter uma diversificação de ativos, diz ela. Por exemplo, dá para combinar os diferentes tipos de papéis de renda fixa: prefixados, pós-fixados e atrelados à inflação. Se quiser adicionar uma dose maior de risco, uma alternativa é destinar uma parcela da cesta para títulos de crédito privado. “Para uma carteira moderada, vão valer os mesmos ativos de renda fixa, mas aí começa apimentar mais, com multimercados, ações brasileiras e internacionais”, aponta. Já na carteira agressiva, a proporção de ativos de renda fixa diminui, enquanto a fatia de aplicações de renda variável aumenta.
Para Ronaldo Guimarães, sócio e diretor do banco digital de investimentos Modalmais, a diversificação é um processo natural e veio para ficar. “Independentemente de ser conservador, moderado e agressivo, olhando projeção de médio e longo prazo, ações precisam compor o portfólio”, defende o especialista. “Claro que o tamanho depende do cenário e da propensão ao risco e de quando o cliente vai precisar dos recursos.”
No longo prazo, vale a pena ter uma parcela do patrimônio investido em moedas fortes, como dólar, indica o especialista. “Dentro de casa, temos 700 fundos de 170 gestoras. Desses, pelo menos 15% são de investimento no exterior”, conta Guimarães. Dentre as opções, por exemplo, estão 18 produtos geridos pelo Credit Suisse com tíquete inicial de R$ 10 mil. “Grande parte desses produtos acessa teses globais.”
A diversificação geográfica é destacada por todos os especialistas como um item cada vez mais importante. Na lista, aparecem ainda os criptoativos que, a despeito das fortes oscilações, têm se mostrado alternativas para diversificar o portfólio. “Faz sentido as pessoas terem na carteira, mas deve ser uma parcela pequena. É preciso dosar muito bem a mão para que não tenha nenhuma grande perda”, afirma Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb, buscador que reúne mais de 15 mil investimentos atualizados diariamente, de cerca de 60 instituições parceiras, entre corretoras, gestoras, distribuidoras, bancos de médio e pequeno porte, e financeiras.
Como investir por conta própria exige disciplina, tempo e conhecimento, alguns especialistas orientam optar por carteiras administradas, que basicamente aplicam em diversos fundos e produtos de investimento, de acordo com objetivos, necessidades, prazo e perfil de risco do investidor. “Sempre importante lembrar que a escolha dos investimentos é a primeira etapa. Precisa ter disciplina para revisitar a carteira, pelo menos semestralmente”, diz Felipe Bottino, diretor da Inter Invest, plataforma de investimentos do banco Inter. “É preciso ter uma estrutura diversificada para qualquer período.”

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