Acesso direto a índices internacionais movimenta negócios com BDRs na B3

Crescimento de investidores em BDRs de ETFs na B3 foi de 104% até junho, comparado com junho de 2020 Vinicius Brancher, da B3: 8.600 investidores pessoas físicas em ETFs
Divulgação
O investidor de varejo passou a ter acesso direto aos mais diversos índices internacionais, diversificando seu portfólio de uma maneira prática e segura, sem burocracia e sem precisar ter conta aberta no exterior ou fazer operação de câmbio. Pode assim investir em ativos como Amazon, Google e Apple, empresas internacionais de biotecnologia e criptomoedas, por exemplo, da mesma forma que já negociava ações de empresas nacionais na bolsa. A única exigência é ter uma conta em uma corretora de valores.
Isso é possível desde fevereiro, com a liberação do acesso aos BDRs de ETFs (Exchange Traded Fund). “Embora seja recente, já temos 8.600 investidores pessoas físicas investindo diretamente em BDRs de ETFs”, diz o superintendente de relacionamento com a pessoa física da B3, Vinicius Brancher.
Em outubro de 2020, a CVM liberou a negociação do BDR de ações para pessoas físicas e, em fevereiro deste ano, deu outro passo importante com a liberação do acesso dos BDRs de ETFs para esse perfil de investidor. Os BDRs (brazilian depositary receipts) são notas emitidas por um banco que indica a posse de uma cota de um ativo (cota do ETF) no exterior. A nota pode ser negociada na bolsa, no mercado secundário. O Banco B3 tem sido o único emissor dos BDRs no Brasil até o momento.
“A aplicação de investidores institucionais (assets) e de varejo em BDRs de ETFs no Brasil, por enquanto, somam cerca de R$ 3 milhões. Nosso objetivo é trazer mais produtos internacionais ao Brasil”, diz o estrategista de ETFs da BlackRock no Brasil, Daniel Lobo. A BlackRock é a maior gestora do mundo em ETFS, com patrimônio de US$ 3 trilhões, de clientes nos continentes americano, europeu e asiático. “Vamos ampliar o acesso aos fundos, sem necessidade de o investidor local ter conta no exterior ou fazer operações de câmbio.”
Entre a última semana de novembro e início de dezembro de 2020, a gestora lançou 39 ETFs ao investidor qualificado. Após adequação de todos os documentos ao entendimento da pessoa física, os BDRs de ETFs foram disponibilizados ao varejo. A partir desta data, a gestora trouxe mais 26 BDRs de ETFs de fora, somando 65 BDRs de ETFs. Deste total, 45 deles estão aptos ao investidor de varejo.
São BDRs de fundos (ETFs) de gestão passiva que seguem o retorno dos seus índices de referência em renda variável. Há índices dos EUA, da Ásia, Europa, de mercados emergentes e também alguns setoriais (saúde, tecnologia, defesa, commodities etc). “Planejamos BDRs de ETFs de renda fixa, negociados em outros países, para este trimestre, junto com o Banco B3. Estamos bem satisfeitos com a atração dos investidores daqui pelos BDRS de EFTs”, diz Lobo.
Para investir nos BDRs de ETFs o investidor tem de ter conta em uma corretora de valores. A partir daí, via home broker, ele compra e vende a cota do BDR com preço a partir de R$ 50,00. A taxa de administração do fundo estrangeiro pode variar de 0,03% a 0,7%, e há também cobrança de taxa da corretora local, além de incidência de taxa sobre dividendos.
Especialista em calcular, criar e divulgar índice para o mercado de ETFs no Brasil, hoje, a Teva soma 100 índices calculados diariamente, com demanda crescente para licenciamento de índices de clientes variados, como fundos de pensão, gestoras independentes, family offices, corretoras e bancos de varejo. “Para o segundo semestre, há a possibilidade de lançamento de pelo menos três ETFs atrelados a índices da Teva, de diferentes classes de ativos, como crédito privado, ações locais e BDRs”, diz o sócio-fundador da Teva Índices, Gabriel Verea.
Vinicius Brancher, da B3, explica que havia mais de 438 mil investidores pessoas físicas com ETFs em carteira até o final do primeiro semestre. Houve um crescimento expressivo ao longo de 2021, alcançando 440 mil investidores, crescimento de 104% comparado com junho de 2020. Dobrou o número de investidores no período de um ano.
Na Itaú Asset Management, apenas no primeiro semestre de 2021, houve o crescimento de 36% nos recursos sob gestão no segmento de ETFs, chegando a R$ 19,1 bilhões no total. A gestora oferece 19 ETFs em seu portfólio.
“Agora, o acesso da pessoa física ao BDR de ETF é um movimento importante para o crescimento do mercado de capitais brasileiro. As corretoras também estão fazendo um bom trabalho ao oferecer essa diversificação. Temos o cuidado de intensificar a educação financeira para os investidores entenderem a dinâmica de negociação desses produtos, de acordo com o perfil deles”, diz Brancher.

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