Nova etapa amplia espaço para serviços mais personalizados

Aquisição de fintechs consolidadoras de aplicações intensifica relacionamento com cliente Carlos Constantini, do Itaú Unibanco: íon permite visualização de até oito carteiras, inclusive de outros bancos
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Previsto para 15 de dezembro, o início da quarta e última etapa do open banking, ou open finance, vai permitir ao cliente o compartilhamento de informações sobre produtos de investimentos e seguros entre as instituições financeiras que ele escolher. Mas a fase que realmente deverá revolucionar modelos de negócios na área de investimentos só começa em 31 de maio de 2022, quando será liberado o compartilhamento de dados transacionais referentes a esses produtos, sempre mediante a autorização do cliente.
Diante de ajustes e debates do Banco Central para a implementação das fases 2 e 3 do open finance, o mercado ainda considera embrionárias as discussões regulatórias sobre a fase 4.
A única certeza dos especialistas é que será a etapa mais fértil e inovadora para a oferta de serviços de investimentos. Leonardo Medeiros, responsável pela área de open banking da XP Inc., observa que ainda há muitas incertezas sobre regulação na fase 4. Para Medeiros, essas indefinições trazem um desafio para as instituições financeiras mostrarem na prática as mudanças proporcionadas pela última fase do open banking.
“Não temos entrado na disputa de pré-cadastro, uma vez que essa entrega de valor ainda não está clara para o cliente. Um dos pontos essenciais do open banking está na análise do comportamento dos dados e como se coloca inteligência em cima desse mundo de informações, transformando tudo isso em entrega de valor para o cliente”, afirma Medeiros.
Nesse aquecimento para a nova fase, as instituições financeiras têm feito movimentos de aquisição de fintechs que fazem a consolidação automatizada de investimentos, além de desenvolver plataformas próprias. Em junho de 2020, a XP Inc. comprou a fintech Fliper, focada na consolidação de investimentos. Com as soluções da Fliper, que já desenvolve uma inteligência de dados, é possível antecipar algumas entregas de valor ao cliente com um modelo mais inteligente, afirma Medeiros.
Também em fase de aquecimento para a última etapa do open banking, o Itaú Unibanco aposta no íon, aplicativo de investimentos do banco que já oferece a função de agregador de investimentos. Carlos Constantini, diretor responsável pela área de gestão de recursos e membro do Comitê Executivo do Itaú Unibanco, diz que o íon traz o conceito de navegação intuitiva das redes sociais.
Com atualizações em ritmo de startup, ou seja, diárias, o íon permite atualmente a visualização de até oito carteiras diferentes, inclusive de outros bancos e corretoras. Até o fim de julho, o aplicativo tinha 100 mil usuários. A simplicidade, segundo Constantini, é o carro-chefe do íon. Ele diz que o cliente quer objetividade com doses de sofisticação para poder fazer o que desejar com os produtos.
“Nossa proposta de valor está baseada em confiança, simplicidade e sofisticação. Na fase 4, é super importante que o cliente sinta confiança na instituição para compartilhar dados. O agregador é a solução de uma dor do cliente que já havíamos identificado em pesquisa. O que estamos entregando com o íon é compatível com que vamos conseguir fazer na fase 4”, afirma Constantini.
Na corrida por ganho de eficiência em serviços de investimentos mais personalizados, o BTG Pactual concluiu, em março deste ano, a aquisição da fintech Kinvo, plataforma de consolidação de investimentos. Marcelo Flora, sócio responsável pelo BTG Pactual digital, diz que a aquisição do Kinvo é crucial para o processo de open banking.
Com a chegada da fase 4 do open banking, segundo Flora, os assessores de investimento vão otimizar o trabalho de consultoria financeira e aprimorar a experiência com o cliente. “As informações serão mais precisas, haverá um ganho de eficiência gigantesco”, diz Flora.
Eduardo Villela, gerente executivo de captação e investimentos do Banco do Brasil também aposta em uma virada de jogo do open banking em maio de 2022. “Será possível extrair mais valor do compartilhamento dos dados sobre investimentos para oferecer uma assessoria integrada ao cliente. As instituições terão uma melhor acurácia do perfil do cliente e de seu apetite de risco, e o investidor vai melhorar sua gestão financeira”, diz Villela.
Para que o correntista perceba o diferencial entre os produtos, há um esforço das instituições em ações de educação financeira, que se estende aos colaboradores. Segundo Villela, o Banco do Brasil ofereceu, entre junho e agosto, um treinamento on-line com duas horas de duração para que todos os colaboradores de agências, em todo o país (cerca de 60 mil pessoas), saibam explicar o que é o open banking e o impacto dessa mudança na vida do cliente.

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