Ações do Bradesco (BBDC4, BBDC3) caem 14% após balanço do 3º trimestre fraco
Analistas dizem que lucro do banco deve continuar pressionado com a inadimplência ainda em alta elevando as provisões para devedores duvidosos (PDD) Analistas destacaram os resultados fracos do Bradesco no terceiro trimestre e dizem que o lucro deve continuar pressionado no curto prazo, com a inadimplência ainda em alta elevando as provisões para devedores duvidosos (PDD) e a margem com mercado demorando a se recuperar. Por volta das 14h45, as ações PN do Bradesco (BBDC4) recuavam 14,15%, a R$ 15,95, e as ON (BBDC3) perdiam 13,73%, a R$ 13,63.
Nos dois casos, o recuo é o maior desde 16 de março de 2020, num momento de forte estresse para o mercado acionário em geral logo no começo da pandemia.
Para o UBS BB, os resultados do Bradesco foram bem ruins, com surpresas negativas na qualidade dos ativos, margem com mercado, resultado de seguros e receitas de tarifas. “O ROE do banco caiu para 13,5%, conforme as tendências operacionais gerais decepcionaram. O índice de inadimplência subiu 0,4 ponto porcentual (mesmo incluindo uma grande venda de créditos vencidos), perdas relevantes na margem com o mercado, e queda sequenciais em receitas de tarifas e seguros. Mesmo considerando a atraente avaliação, esperamos que as ações do Bradesco sejam pressionadas no curto prazo”.
Os analistas apontam que o novo guidance de PDD do Bradesco indica um volume de provisões de R$ 8,1 bilhões a R$ 10,1 bilhões no quarto trimestre, o que indicaria um lucro em 2022 de R$ 23 bilhões este ano, bem abaixo da previsão atual do UBS BB, de R$ 27 bilhões.
“No geral, dinâmicas piores foram vistas em todas as linhas. O ROE de 13% é o mais baixo que vimos para Bradesco em muito tempo, e provavelmente não há solução rápida. Nosso recente rebaixamento da recomendação para o Bradesco foi exatamente para refletir essa piora na qualidade do crédito e na dificuldade de extração de margem financeira. Este trimestre foi pior do que o esperado e provavelmente diminuirá as expectativas para 2023 também”, diz o Itaú BBA.
Além da margem com mercado, eles apontam que a margem com clientes foi beneficiada por um maior número de dias úteis no trimestre, mas que os spreads estão desacelerando. “A margem avançou 3% no trimestre, puxada principalmente por melhores volumes, mas também uma melhora de 0,1 ponto nos spreads, tanto na operação de crédito quanto na margem do passivo.”
Na avaliação do Goldman Sachs, se não fosse a venda de carteiras vencidas, a inadimplência do Bradesco teria subido para 4,2%. Eles apontam que a despesa trimestral de PDD foir a maior desde o segundo trimestre de 2020, quando começou a pandemia, e que ainda assim o índice de cobertura caiu para 201%. “Isso acende sinais amarelos para uma maior inadimplência e menores provisões, embora a inadimplência de curto prazo tenha ficado estável pelo segundo trimestre consecutivo.”
O Citi aponta que, na teleconferência com analistas, a administração do Bradesco indicou que os resultados devem continuar sob pressão no curto prazo. “De acordo com o banco, sua maior exposição a clientes de baixa renda explica a maior parte do desempenho mais fraco em relação ao mercado, já que esse perfil de clientes sofreu mais com inflação e taxas de juros altas. No entanto, a deterioração da inadimplência no terceiro trimestre foi uma surpresa, levando o banco a aumentar as provisões. Apesar disso, o Bradesco acredita que deve conseguir retornar aos retornos passados, após o ajuste da carteira, o que deve levar algum tempo. No geral, vemos a rápida deterioração das expectativas por parte da administração como um ponto de preocupação, que deve pressionar o estoque dada a falta de visibilidade para resultados futuros.”
Fachada de agência do Brasdesco Prime
Divulgação/Bradesco

